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Campo Grande, 29 de setembro de 2026

Bebê Ayla é resgatada no Paraguai após sequestro em Campo Grande

  • 10 de agosto, 2026
  • Polícia, Violência contra criança
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Recém-nascida de 28 dias desapareceu na quinta-feira (06/08) após mãe adolescente ser atraída por falsa oferta de emprego. O casal de brasileiros foi preso com a criança e extraditado para o Brasil.

Suzilaine da Graça Costa e Alex Melo de Abreu, 30 anos levaram a bebê Ayla para o Paraguai, onde foram presos na madrugada de ontem, após emissão do Alerta Amber Brasil  sobre o desaparecimento da criança.

A Justiça do Paraguai entregou na tarde deste domingo (09/08), no Consulado do Brasil em Pedro Juan Caballero, a recém-nascida Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 28 dias, às autoridades brasileiras.

A bebê havia desaparecido na última quinta-feira (06/08), em Campo Grande, e foi localizada durante a madrugada deste domingo no Paraguai, após operação binacional que resultou na prisão de um casal de suspeitos.

Após ser encontrada, Ayla foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde passou por exames médicos que constataram que está saudável e em boas condições. Em seguida, foi repatriada e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, onde permanece abrigada enquanto são realizados os procedimentos necessários para que seja reunida com a família.

Ayla Emanuelly desapareceu em Campo Grande (MS) na última quinta-feira e o caso mobilizou a polícia com alerta internacional. (Foto: Redes sociais)

O sequestro
Ayla desapareceu após a mãe, uma adolescente de 17 anos, ser atraída até um imóvel no bairro Universitário, em Campo Grande. Segundo o relato prestado à polícia, a jovem havia conhecido uma mulher pela internet, em um grupo relacionado à venda ou doação de roupas infantis. A mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente cuidasse de uma criança.

A adolescente aceitou a proposta e foi até o endereço acompanhada da irmã, de 12 anos. Conforme o depoimento, ao chegar ao imóvel, as duas teriam sido ameaçadas e obrigadas a entregar a recém-nascida. Durante a madrugada, a mãe e a tia da bebê foram deixadas em um local ermo nas proximidades da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Universitário, sem a criança.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública acionou o Alerta Amber Brasil para ajudar nas buscas da menina, e a Polícia Civil, por meio da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), com apoio de forças policiais da fronteira, passou a atuar nas investigações.

Policia paraguaia localizou o casal com a pequena Ayla na madrugada de domingo.

Localização no Paraguai
A localização de Ayla no Paraguai ocorreu após o compartilhamento de informações entre as autoridades dos dois países. Na madrugada de domingo, por volta de 1h15, equipes do Comando Bipartito em Pedro Juan Caballero, com apoio dos operadores táticos da Direção de Polícia do Amambay e do Grupo Antissequestro (DAS), cumpriram mandado judicial de busca em um imóvel na cidade paraguaia.

No local, os policiais localizaram a criança recém-nascida e prenderam em flagrante dois brasileiros: Alex Melo de Abreu, de 30 anos, que usava documento falso em nome de Weliton Aparecido Lopes dos Santos, e Suzilaine da Graça Costa. Ambos foram expulsos do Paraguai e entregues à Polícia Federal em Ponta Porã na tarde de domingo, onde permanecem à disposição do Poder Judiciário.

O rastreamento de sinais de celulares foi decisivo para a polícia chegar até a bebê. A operação, articulada entre forças de segurança do Brasil e do Paraguai via Comando Bipartido, acompanhou a rota dos suspeitos desde Campo Grande até Ponta Porã e, em seguida, para o lado paraguaio da fronteira.

Alex  Melo de Abreu estava com mandado de prisão em aberto por homicídio de uma adolescente no Amazonas e ainda tem na ficha crimes como estelionato, furto, embriaguez ao volante, lesão corporal, ameaça e violência doméstica.

Quem são os suspeitos
Alex Melo de Abreu, 30 anos, acumula uma ficha criminal marcada pela violência e pela tentativa constante de burlar a Justiça. Antes de se envolver no caso da recém-nascida em Campo Grande e ser preso no Paraguai, o criminoso já havia sido condenado pelo homicídio de Mikaelly Vitória Silveira Ramos, uma adolescente de 16 anos, atropelada por ele há quatro anos, em Apuí (AM).

Conforme a imprensa amazonense, o crime aconteceu em fevereiro de 2022. Com o impacto, a adolescente morreu no local. Após o acidente, Alex abandonou o automóvel e tentou fugir, mas foi interceptado pelas Polícias Civil e Militar. Durante a abordagem, foi desmascarada outra de suas mentiras: ele costumava se apresentar como policial militar aposentado para atrair mulheres.

Interrogado na delegacia, Alex confessou que nunca pertenceu à corporação e que usava a farsa para atrair mulheres. Ele foi preso em flagrante e depois condenado a 11 anos e seis meses pelo homicídio da adolescente. A sentença transitou em julgado e ele estava com mandado de prisão em aberto. Além do homicídio, Alex tem na ficha crimes como estelionato, furto, embriaguez ao volante, lesão corporal, ameaça e violência doméstica.

Suzilaine da Graça Costa, que também foi presa com a criança, não teve detalhes de sua ficha criminal divulgados pelas autoridades. O casal foi encontrado em uma casa em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, junto com a bebê Ayla.

Ayla sendo entregue à Conselheira Tutelar em Ponta Porã (MS) após passar por exames médicos.

Onde está Ayla agora
Após ser resgatada e passar por exames médicos no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, Ayla foi repatriada e está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã. Segundo o órgão, a bebê está bem, saudável e em segurança, e deve voltar para Campo Grande nesta segunda-feira (10/08), quando será entregue à família.

A família da pequena Ayla acredita que a mulher apontada como mandante do sequestro queria criar a bebê após levá-la ao Paraguai. As circunstâncias do desaparecimento, assim como a participação dos suspeitos no caso, continuam sendo investigadas pelas autoridades brasileiras e paraguaias.

Investigação segue em andamento
No sábado (08/08), um homem que não teve o nome divulgado foi preso pela equipe da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), que presta apoio à DEPCA, responsável pela investigação do caso. O homem preso é o proprietário da casa que teria sido emprestada a um conhecido para esconder a criança. A mãe e a irmã dele, que estiveram na delegacia, afirmaram que ele não tem envolvimento com o sequestro de Ayla. Segundo elas, o homem conhece o suspeito, mas não sabia para qual finalidade o imóvel seria utilizado.

Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa agora deverão cumprir a pena pelo homicídio da adolescente no Amazonas e responder pelo sequestro do bebê e pela falsificação de documentos. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias do desaparecimento e identificar possíveis outros envolvidos.

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