Polícia Militar Ambiental e pesquisadores da UFMS retornam ao local para capturar o felino e entender as possíveis causas do comportamento agressivo.

Na quarta-feira (23/04), equipes da Polícia Militar Ambiental (PMA), acompanhadas de um pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), retornaram ao Pantanal, na região de Aquidauana, para tentar capturar a onça-pintada que matou o caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos, conhecido como “Jorginho”. A ação ocorre na mesma área do ataque, às margens do Rio Aquidauana, com o objetivo de capturar o animal e levá-lo para Campo Grande, onde passará por avaliações e procedimentos necessários.
Entendendo o ataque
Jorginho trabalhava como cuidador de um pesqueiro particular e foi vítima de um ataque repentino na última segunda-feira, enquanto tentava coletar mel em um deck próximo à mata. Segundo relatos de moradores e pescadores locais, o ataque foi inesperado. De acordo com a Polícia Civil, Jorge usou o celular a última vez às 5h30 da manhã. Por volta das 6h30, um piloteiro local foi até o pesqueiro e encontrou uma cena que indicava ataque de animal silvestre. Ele acionou a PMA (Polícia Militar ambiental), que solicitou a presença da Polícia Civil. Foi destinado ao local o helicóptero da Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), além da perícia.
Além de vestígios e restos mortais, havia ainda pegadas de animal silvestre de grande porte, possivelmente de onça, assim como sinais de arrastamento em direção ao curso d’água.
Na manhã da terça-feira (22/04), foi divulgado um vídeo que mostra os restos mortais de Jorginho na região do Touro Morto, no Pantanal sul-mato-grossense, dentro de um corixo, cerca de 300 metros do local onde o caseiro foi atacado. As imagens exibem os agentes da Polícia Militar Ambiental, da Polícia Civil e moradores que participaram das buscas. Também é possível ver as botas usadas pela vítima no momento do ataque. No vídeo o grupo conta que ao tentar resgatar os restos mortais do caseiro, foram atacados pela onça .
Investigações e possíveis causas
A PMA está investigando as razões que podem ter levado ao comportamento agressivo do felino. Uma das hipóteses levantadas é a escassez de alimentos na região, o que estaria levando grandes felinos, como a onça-pintada, a se aproximar de áreas habitadas em busca de presas. Segundo a corporação, há indícios de que a falta de presas naturais, como capivaras e outros animais silvestres, possa estar alterando o comportamento dos predadores.
Além disso, a investigação considera outras possibilidades, como uma reação defensiva do animal diante de alguma atitude involuntária da vítima ou um aumento na agressividade durante o período reprodutivo da espécie. A equipe também avalia se fatores ambientais ou humanos podem estar contribuindo para esse comportamento incomum.
Contexto e importância da preservação
O Pantanal é uma das maiores áreas de biodiversidade do Brasil, mas enfrenta desafios relacionados à escassez de alimentos para a fauna, muitas vezes agravada por atividades humanas e mudanças ambientais. Entender o comportamento dos grandes felinos na região é fundamental para garantir a segurança das comunidades locais e a preservação da espécie.
A investigação da PMA continua, buscando compreender melhor as causas do ataque e implementar ações que possam evitar incidentes futuros, sempre com foco na conservação da vida selvagem e na segurança das pessoas que vivem na região.






