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Campo Grande, 24 de outubro de 2026

BR-262 no MS ganha cercas e passagens para conter tragédia de atropelamentos na fauna pantaneira

  • 18 de novembro, 2025
  • Cidades, Geral, Meio Ambiente
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DNIT inicia instalação de 170 km de barreiras entre Aquidauana e Corumbá; projeto tem orçamento milionário, histórico de mortes e pressões ambientais.

Entre maio de 2023 e abril de 2024, cerca de 2.300 animais foram atropelados em um trecho de 350 km entre Campo Grande e a ponte sobre o Rio Paraguai.

O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) começou, nesta segunda-feira (17), a instalação de 170 quilômetros de cercas de proteção nos dois lados da BR-262, no trecho entre Aquidauana e Corumbá, no Mato Grosso do Sul. A iniciativa visa frear o alto número de atropelamentos de animais silvestres nessa via, considerada uma das mais letais para a fauna.

A iniciativa visa frear o alto número de atropelamentos de animais silvestres nessa via, considerada uma das mais letais para a fauna.

As barreiras fazem parte de um plano de mitigação aprovado no fim de 2024 e incluem também 17 passagens para animais — 10 subterrâneas e 7 aéreas — para guiar os animais a atravessarem a rodovia com segurança.
O projeto, com recursos da União, tem orçamento previsto de R$ 30,2 milhões. As cercas foram pensadas para impedir o acesso direto à pista e conduzir a fauna para os pontos de travessia, reduzindo assim os riscos de colisão.

Espécies como tatus, jacarés, lobinhos, tamanduás e aves estão entre as mais afetadas.

Um histórico sombrio

A BR-262 é conhecida como a “rodovia da morte” para a fauna pantaneira. Segundo monitoramentos do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), entre maio de 2023 e abril de 2024, cerca de 2.300 animais foram atropelados em um trecho de 350 km entre Campo Grande e a ponte sobre o Rio Paraguai.

Espécies como tatus, jacarés, lobinhos, tamanduás e aves estão entre as mais afetadas. Além disso, segundo o Instituto Homem Pantaneiro, pelo menos 20 onças-pintadas já morreram no trecho entre Corumbá e Miranda desde 2016 por colisões.

Pesquisas históricas também demonstram a gravidade da situação. Nos anos 1990, o biólogo Wagner Fischer (UFMS) estimou cerca de 1.400 atropelamentos por ano ao longo da BR-262 entre Campo Grande e Corumbá. Já entre 2017 e 2020, estudos registraram a morte de 12,4 mil animais, sendo 40% de grande porte, como antas, tamanduás e capivaras.

BR-262 ganha passagens subterrâneas para reduzir atropelamento de animais |  Folha MS

Reações, críticas e pressões
Organizações ambientais, como o ICAS, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e a Onçafari, criaram o Observatório Rodovias Seguras para Todos para acompanhar a implantação dessas medidas de mitigação pela BR-262.

Apesar disso, a ONG ICAS já manifestou críticas a estudos anteriores do DNIT, argumentando que medidas como radares e sinalização não bastavam e que cercas e passagens para fauna poderiam reduzir até 86% dos atropelamentos. Também há forte pressão judicial: o MPF (Ministério Público Federal) acionou o DNIT para que cumpra um plano previsto desde 2010 para proteger a fauna no trecho entre Aquidauana e Corumbá.

BR-262 ganha plano para mitigação de atropelamentos de animais

Expectativas e desafios
Com a instalação das cercas e das passagens seguras, o DNIT espera tornar a BR-262 mais segura tanto para os animais quanto para os motoristas. A estratégia inclui reforço na sinalização para alertar condutores nas zonas mais críticas.

Ainda assim, especialistas lembram que a fiscalização contínua e o monitoramento são fundamentais para garantir que as estruturas sejam efetivas. Organismos ambientais mantêm a vigilância sobre a execução do plano para averiguar se as medidas serão suficientes para conter a matança na rodovia – um projeto que já carrega anos de crítica, pressão social e impacto ecológico.

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