Medida inédita, que inclui “ações letais”, é parte de ofensiva dos EUA contra Maduro sob acusação de narcotráfico.

Em pronunciamento que marca uma escalada dramática nas relações entre Estados Unidos e Venezuela, o presidente Donald Trump confirmou que autorizou a Agência Central de Inteligência (CIA) a realizar operações secretas, inclusive letais, no território venezuelano.
A decisão — divulgada ontem (15/10) — tem como justificativa o combate ao narcotráfico e acusações de que o governo de Nicolás Maduro estaria envolvido com organizações criminosas internacionais.

Tensão crescente e ataques no mar do Caribe
A autorização da CIA ocorre em meio a uma ofensiva militar dos EUA no mar do Caribe. Desde o início de setembro, os Estados Unidos vêm atacando embarcações que, segundo sua narrativa, estariam transportando drogas a partir da Venezuela. Até o momento, pelo menos cinco ataques foram registrados, resultando em cerca de 27 mortes.
Em uma das mais recentes incursões, um barco próximo à costa venezuelana foi atingido, com seis pessoas mortas — um episódio que Trump divulgou em suas redes sociais.
Esses ataques são justificados pelo governo norte-americano com base na classificação de grupos como o Tren de Aragua e o Cartel de los Soles como organizações terroristas — uma estratégia usada para conceder legitimidade para operações extrajudiciais e ações militares transnacionais.
Trump também sugeriu que operações em terra venezuelana poderiam ser implementadas em breve, afirmando: “Estamos olhando para atuação terrestre agora, porque temos o mar bastante sob controle.”
Durante entrevista, Trump apontou duas razões principais para autorizar a ação da CIA: primeiro, ele afirmou que “eles esvaziaram suas prisões dentro dos Estados Unidos”, sugerindo que criminosos venezuelanos estariam invadindo o território americano; segundo, citou o intenso fluxo de drogas por rotas marítimas saindo da Venezuela.
Quando questionado se a CIA poderia atacar diretamente Maduro, ele evitou responder, chamando a pergunta de “ridícula”.
A Venezuela reagiu de imediato, denunciando a medida como intervenção agressiva e “ação de regime change impulsionada pelos EUA”. O governo reivindica que as operações configuram violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Organizações de direitos humanos também se posicionaram. A Human Rights Watch condenou os bombardeios como potenciais execuções extrajudiciais ilegais.
Especialistas em direito internacional afirmam que ações letais fora de um contexto de guerra declarada exigem claras justificativas legais — que ainda não foram apresentadas pelos EUA.
Designação de cartéis como organizações terroristas
Em 2025, o governo Trump qualificou grupos importantes de tráfico como Terroristas Estrangeiros ou Globalmente Designados, facilitando o uso de autoridade militar contra eles.
Acúmulo de operações marítimas no Caribe
Os ataques navais e a presença naval reforçada na região foram escalonados nos últimos meses como parte de um esforço de controle marítimo e interceptação de rotas de drogas.
Ruptura diplomática e acusação direta a Maduro
A administração Trump suspendeu diálogos diplomáticos e intensificou propaganda acusando Maduro de envolvimento direto no tráfico de drogas e de proteger organizações criminosas.
Em um contexto de crise com a migração e a crítica pública ao fluxo de drogas, o governo americano pressionou por medidas que parecessem contundentes e rápidas. A autorização à CIA representa uma aposta em ações radicais como meio de demonstrar controle e autoridade.






