Estudo aponta redução de internações por doenças relacionadas à água e ao esgoto; em Campo Grande, casos de diarreia caíram 91%

A expansão do saneamento em Mato Grosso do Sul está associada à redução de doenças e à economia de R$ 1,3 bilhão em custos relacionados à saúde entre 2005 e 2024. A estimativa é do Instituto Trata Brasil, em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica, e considera despesas com internações e impactos das doenças sobre as atividades dos trabalhadores. No período, as internações por doenças de veiculação hídrica e respiratórias caíram, em média, 1,9% ao ano no Estado.
MENOS DOENÇAS, MENOS CUSTOS
Em Campo Grande, um estudo sobre saúde pública e esgotamento sanitário identificou redução de 91% nos casos de doenças diarreicas agudas e de 97% nas internações de crianças menores de quatro anos. Os resultados acompanharam a expansão da cobertura de esgoto, de 19% para aproximadamente 89% da população entre 2003 e 2021.
No interior, uma pesquisa de mestrado da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), baseada em dados de Bonito entre 2003 e 2024, apontou que crianças de zero a nove anos concentraram mais da metade das internações relacionadas às doenças analisadas.
COBERTURA COM EXPANSÃO
Nos 79 municípios avaliados pelo Trata Brasil, a cobertura de coleta de esgoto passou de 27,1%, em 2010, para 63,1%, em 2024. Atualmente, a Águas Guariroba atende 95% da população de Campo Grande com esgotamento sanitário. No interior, a Ambiental MS Pantanal, em parceria com a Sanesul, atua em 68 municípios, onde a cobertura avançou de cerca de 46%, em 2021, para mais de 81% em 2026.
As duas operações beneficiam mais de 1,2 milhão de pessoas e somam mais de 4,8 mil quilômetros de redes implantadas. Além da prevenção de doenças, o saneamento contribui para a preservação dos recursos hídricos.
RETORNO PARA A POPULAÇÃO
O estudo projeta que a universalização do saneamento poderá gerar R$ 40,8 bilhões em benefícios econômicos e sociais em Mato Grosso do Sul entre 2025 e 2040. Descontados os custos previstos, o saldo positivo estimado é de R$ 26 bilhões.
A pesquisa também associa a falta de coleta de esgoto a maiores índices de atraso escolar, reforçando os efeitos do saneamento sobre a saúde, a educação e a qualidade de vida.







