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Campo Grande, 05 de setembro de 2026

Campo Grande amarga penúltima colocação entre capitais em ranking fiscal da Firjan

  • 19 de setembro, 2025
  • Geral, Infraestrutura
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De acordo com a pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), a Capital de MS  ocupa a 3.464ª posição nacional e a segunda pior gestão fiscal entre as capitais. Vitória (ES) lidera com excelência. A cidade aparece também na 63ª posição entre os 79 municípios do Estado.

Campo Grande segue como 31ª maior economia municipal do país – CGNotícias

De acordo com a pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Campo Grande, mesmo com significativa arrecadação, cenário econômico favorável e aumento dos repasses federais, apresenta uma das piores gestões fiscais do país.

Segundo o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) 2024, a capital sul-mato-grossense ocupa a 3.464ª colocação entre os 5.129 municípios avaliados e aparece como a penúltima entre as capitais brasileiras, ficando à frente apenas de Cuiabá (MT), que tem o pior desempenho.

Prefeita Adriane Lopes e o desafio de tirar a Capital do patamar fiscal de “gestão em dificuldade”.

Apesar de mais de R$ 4,4 bilhões vindos da União em 2024, serviços básicos seguem em colapso.

O mais recente Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) deixa claro o contraste entre receita e resultados em Campo Grande: a capital sul-mato-grossense aparece na 3.464ª posição entre os 5.129 municípios avaliados e é a penúltima entre as 27 capitais, ficando à frente apenas de Cuiabá. A nota geral de Campo Grande no IFGF 2024 foi 0,5783, classificada como “gestão em dificuldade”.

Os números do IFGF confirmam o problema administrativo: enquanto o município atingiu nota máxima em Autonomia (1,0000) — ou seja, tem capacidade de arrecadação própria relativa à sua estrutura — os demais indicadores mostram fragilidade crônica: Gastos com Pessoal: 0,4105; Investimentos: 0,4706; Liquidez: 0,4319.

Campo Grande só fica à frente de Cuiabá no Índice Firjan de Gestão Fiscal

Essas pontuações (todas entre 0,4 e 0,6) indicam incapacidade de alocar recursos em obras e serviços e insuficiência de caixa para cobrir compromissos.

Ao mesmo tempo em que o IFGF mostra essa realidade, dados oficiais do próprio Governo Federal registram repasses vultosos para a capital: em 2024 Campo Grande recebeu mais de R$ 4,4 bilhões em transferências do governo federal — soma que inclui repasses diretos ao município e benefícios a cidadãos na cidade.

Além disso, apurações locais indicam repasses mensais do FPM que chegaram a cerca de R$ 5.967.367,34 em apuração divulgada para parte do ano, e ocorrências pontuais de transferências federais específicas (por exemplo, notícia sobre R$ 17,3 milhões destinados a educação e finanças municipais em 2024).

Esses montantes mostram que a falta de serviços não decorre de ausência de recursos federais, mas de falhas na aplicação e priorização.

A Firjan — que monitora as contas de 5.129 prefeituras com base em informações declaradas à Secretaria do Tesouro Nacional — alerta que, apesar da melhora conjuntural em 2024 (com aumento de repasses e receita), 36% dos municípios ainda vivem situação fiscal difícil ou crítica e que a mera elevação de receita não garante melhora dos serviços se não houver gestão eficiente e reformas administrativas.

De acordo com Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, o momento atual de melhora fiscal não garante estabilidade futura: “É fundamental considerar que o cenário está melhor por conta dos resultados econômicos de 2024 e de maior repasse de recursos, mas isso pode não se repetir em outros momentos”, afirmou Caetano.

Ele ressalta ainda que, apesar do alívio fiscal temporário, “continuamos com uma parcela significativa de cidades em situação desfavorável, evidenciando desigualdades históricas e mantendo o Brasil longe de patamar elevado de desenvolvimento”.

O que esses números significam para a população

Saúde e transporte coletivo — áreas relatadas pela população e por servidores como em colapso — dependem diretamente de execução orçamentária eficiente. Gastos com pessoal elevados (IFGF Gastos com Pessoal = 0,4105) e baixa liquidez (0,4319) reduzem a capacidade de contratar, equipar e manter serviços.

Investimentos insuficientes (0,4706) indicam que obras, reforma de unidades de saúde, frota e infraestrutura do transporte não receberam a fatia necessária da receita. Resultado: piora na qualidade de vida, filas, falta de atendimento e transporte precário para quem mais precisa.

Contraste com as capitais melhores avaliadas

Enquanto Campo Grande patina, o topo do ranking das capitais mostra referência de gestão: Vitória (ES) lidera com nota máxima (1,0000) e é seguida por São Paulo (SP), Salvador (BA), Aracaju (SE) e Belém (PA) — capitais com melhores índices de autonomia, controle de gastos, investimentos e liquidez, que se traduzem em capacidade de manter serviços públicos e atrair investimentos. A comparação torna ainda mais evidente que o problema de Campo Grande é de gestão, não apenas de arrecadação.

Classificação ruim entre as Capitais e entre os municípios de MS

O levantamento da Firjan mostra que Campo Grande registrou nota geral de 0,5783, dentro da faixa considerada “gestão em dificuldade” (0,4 a 0,6). O único indicador positivo foi o de Autonomia (1,0000), enquanto os demais revelam o colapso administrativo: Gastos com Pessoal (0,4105), Investimentos (0,4706) e Liquidez (0,4319).

A média nacional do IFGF foi de 0,6531 ponto, classificada como “boa gestão”, e a média entre as capitais chegou a 0,7888, patamar de excelência.

Campo Grande está abaixo de ambos os índices. No cenário estadual, o desempenho também é preocupante: a cidade aparece apenas na 63ª posição entre os 79 municípios de Mato Grosso do Sul, ficando atrás de cidades bem menores como Figueirão, Paraíso das Águas e Ribas do Rio Pardo, que lideram o ranking regional (MS).

Campo Grande só fica à frente de Cuiabá no Índice Firjan de Gestão Fiscal

Capitais mais bem avaliadas

No ranking das capitais, Vitória (ES) ocupa o primeiro lugar com nota máxima (1,0000), seguida de São Paulo (SP – 0,9467), Salvador (BA – 0,9460), Aracaju (SE – 0,9454) e Belém (PA – 0,9313). Todas essas cidades foram classificadas como gestão de excelência.

Na outra ponta, Cuiabá (MT) apresentou os piores resultados, com 0,5237 de IFGF, nota zero em liquidez e nível crítico em investimentos. Logo acima está Campo Grande, que, apesar do cenário econômico mais favorável e da ampliação das receitas municipais impulsionadas pelos R$ 177 bilhões repassados pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 2024, não conseguiu traduzir os recursos em melhorias na gestão.

Campo Grande aparece bem colocado em 2013 e 2014, depois disso a gestão fiscal amarga classificação de dificuldade e situação crítica.

Retrocesso histórico

A trajetória de Campo Grande no IFGF mostra estagnação. O município só teve desempenho positivo em 2013 e 2014, com pequenas melhoras em 2016 e 2022, mas desde então se mantém em patamares negativos. Durante a gestão da prefeita Adriane Lopes (2017-2024), que assumiu inicialmente como vice e depois como titular, os índices permaneceram em queda.

Reflexo no cotidiano

A população sente os efeitos da má administração nas áreas essenciais. Na saúde e no transporte coletivo, os déficits são visíveis. Servidores municipais, indignados, têm ocupado a tribuna da Câmara de Vereadores para denunciar atrasos, promessas não cumpridas e condições precárias de trabalho.

Enquanto capitais como Vitória, São Paulo e Salvador se destacam pela boa aplicação dos recursos e investimentos estratégicos, Campo Grande, que já foi referência em desenvolvimento regional, hoje amarga uma das piores gestões fiscais do país. Campo Grande amarga penúltima colocação e segue sem melhoria na qualidade de vida dos seus 899 mil habitantes (IBGE/2022),  mesmo com bilhões em repasses.

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