Ao receber representantes de mais de 130 países, a vergonha machuca os campo-grandenses
Amar Campo Grande é respeitar Campo Grande. É tratá-la como se deve tratar a mãe, o pai, os filhos, os irmãos. É cuidar dela como se cuida do cãozinho de estimação, das flores no jardim, da limpeza dos cômodos e da higiene em todos os espaços. Enfim, é fazer de todas estas atenções um gesto de carinho, ou, mais que isto, um ato de amor.
Infelizmente, por parte da atual gestão pública, a capital de Mato Grosso do Sul não vem sendo tratada na forma e no conteúdo aqui descritos. Falta muito mais que cuidado ou atenção – falta amor. Esta verdade se manifesta dolorosamente, de maneira escancarada, com vergonha e revolta de cidadãos e cidadãs que, mesmo pagando impostos exorbitantes, não têm seu dinheiro restituído por meio da manutenção básica.
E a vergonha machuca, é uma profunda humilhação, sobretudo se for considerado que antes das duas ou três últimas gestões a capital era uma das mais belas e admiradas no País. Hoje, pelo desleixo com que é tratada, perdeu esta honrosa posição. Nos próximos dias, esta realidade será vista e amargamente provada por gente de várias partes do mundo.
No período de 23 a 29 deste mês, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizará em Campo Grande a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias. É a midiática COP15, evento criado para mobilizar o planeta na defesa da sustentabilidade, com foco na proteção de animais migratórios, habitats e rotas.
Estarão aqui representantes de mais de 130 países, cerca de 2,8 mil pessoas oriundas de todos os continentes para definir as políticas de conservação ambiental, higiene e limpeza. São condições insubstituíveis de saúde e de vida não observadas pela gestora e pela gestão da cidade, como se pode constatar a olho nu.
O cenário é caótico e não se resume à buraqueira nas vias públicas e aos estragos causados pelos temporais. Os serviços de saúde, limpeza e transporte, entre outros, ou não funcionam ou apresentam precariedades inadmissíveis, entre as quais a falta de coberturas nos pontos de ônibus e de medicamentos básicos na rede pública de saúde.
Campo Grande estará, portanto, exposta, nua e crua, a um mundo que estará sob seu acolhimento e testemunhará a pobreza administrativa, conceitual e política de uma gestão que continua há anos sem entender o que significa amor por uma cidade e ter responsabilidade para amá-la.