“O pior cego é aquele que não quer ver”
Pelas vias da humildade, da força de vontade, da responsabilidade e da fé, entre outras virtudes, justifica-se concretamente a constatação de um sublime feito humano, traduzido em conhecida máxima popular, a do cego que consegue enxergar. Porque trata-se de um olhar que não se limita aos olhos do corpo, mas vai além até avistar as coisas e o mundo com a visão do espírito, da consciência, da sabedoria.
Infelizmente, há o outro lado deste contexto humano. É aquele em que se encaixa um dos mais implacáveis aforismos: “O pior cego é aquele que não quer ver”. Como contestar esta objetiva e apurada definição, se todos os dias e em todos os quadrantes nos deparamos com tal realidade?
Aqui mesmo, em Campo Grande, a população é testemunha de uma demonstração inequívoca desta prova de mediocridade à qual está sujeita uma expressiva parcela de terráqueos. A crise das finanças e da gestão do Município se agrava, e fica mais funda a cada dia, porque a gestora ainda não entendeu ou não soube dimensionar sua responsabilidade, seu papel, a ponto de não ver o óbvio.
Se a gestora não enxerga o que está escancarado à sua frente, dentro de seus compartimentos de ação e decisão, é o caos, porém, infelizmente, é realidade: a prefeita Adriane Lopes prova ser incapaz de compreender que precisa fazer a sua parte e que, assim procedendo, deixará de ser a figura decorativa cuja administração só tem efetiva positividade em iniciativas de auxílio que recebe do governo estadual.
E este socorro chega desde o início da gestão, de forma abundante, com quantidade e qualidade. Além dos milhões que o governo de Eduardo Riedel investe em obras de infraestrutura nos diversos setores, a prefeita ainda tem os desembolsos do tesouro estadual para socorrer compromissos da prefeitura, como os repasses para a Santa Casa e – pasmem! – ao sistema de transporte coletivo. E não é pouca coisa.
Contudo, o recorrente SOS que o Estado atende não é correspondido por uma gestora que trata com desleixo de suas responsabilidades, como a guarda zelosa e republicana das finanças, a execução de programas e ações para humanizar a assistência na saúde pública, garantir manutenção urbana. Enfim, sem enxergar o óbvio, se continuar fazendo tal como o pior cego, a gestora será politicamente condenada a admitir que sua gestão só anda a reboque.

