Não é preciso possuir um olfato cientificamente preparado para distinguir cheiros e sabores agradáveis dos desagradáveis. No caso de perfumes, há os de alta qualidade, aqueles que não perdem o aroma e atravessam os tempos deliciando narinas e ambientes. E há também os de qualidade discutível, os que encantam na primeira inalada e depois provocam as mais diferentes reações negativas, até de asco ou enjoo.
Por analogia, se pessoas comuns fizessem uma avaliação sobre os partidos políticos, comparando-os a perfumes, certamente alguns não passariam pelo crivo do mais leigo julgador. O MDB está enfiado na sacola dos que já perderam a antiga e atrativa fragrância.
Nos chamados anos de chumbo, o MDB era uma frente liderada nacionalmente por Ulysses Guimarães e em Mato Grosso do Sul (pré e pós-divisão) tinha nomes respeitáveis, com personagens da estatura de um Wilson Martins. Seus líderes, seu programa e sua causa faziam do bom e velho MDB um perfume de elevado valor aromático.
Infelizmente, aquele cheiro bom de outrora ficou no passado – e a cada dia mais distante. O partido tornou-se uma espécie de perfume sem viço, sem essência, quase sem poder de sedução, a não ser um restolho de cooptação intitulado fundo partidário ou fundo eleitoral. Tudo porque a roda gira e a política, já dizia o sábio Ulysses, é como a nuvem. O MDB por aqui girou e virou nuvem. Cinzenta. Carregada. Pesada.
Depois que Wilson Martins deixou o governo, a banda histórica do emedebismo, sem opção, teve que fiar-se na liderança instável de André Puccinelli e suportar sua desmedida ambição pelo poder, conjugando o verbo “mandar” e erigindo-se como um trator. O motor veio fundindo, o combustível exaurindo e o aroma encantado dissipou-se.
O partido começou a encarnar a conhecida historinha do “era uma vez”. E era mesmo. De eleição em eleição, de denúncia em denúncia, de desgaste em desgaste, o emedebismo hoje é especialista em uma prática que pode ser chamada de “garupismo”. Vive pendurado nos vizinhos mais próximos, como se fosse aquele perfume esquecido numa prateleira, em desuso, malcheiroso ou inodoro.
Não tem mais Wilson Martins, Ramez Tebet, Juarez Batista, Sérgio Cruz, Válter Pereira, Plínio Martins, Nelly Bacha e outras lideranças de peso e cheiro bom. Tem que se contentar com o que sobra. E continuar pedindo carona amiga. Vai tendo sorte, tem achado encostos generosos para pendurar-se. Só um bem precioso ainda resiste, com o mesmo aroma arrebatador de dantes: a sua história passada. Porque a atual é como a de um perfume que já não merece este nome por ter perdido a fragrância.