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Campo Grande, 21 de setembro de 2026
editorial

Reino apodrecido

  • Geraldo Silva
  • setembro 21, 2026
  • 5:18 am
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Reino apodrecido
O vereador Wilton Celeste Candelório, conhecido como Leinha, é filiado ao Avante, partido presidido pelo deputado estadual Lídio Lopes, marido da prefeita Adriane Lopes (PP). No entanto, estes vínculos nada significaram para Leinha, candidato a deputado estadual.

Quando estava sendo cobrado por eleitores pelos desmandos da gestão municipal, ele jogou a responsabilidade no lugar certo, as mãos de Adriane, mas juntou uma previsão surpreendente, por partir de um apoiador.

Tudo aconteceu há alguns dias durante uma reunião política de Leinha no Jardim das Mansões. É tempo de campanha, no qual vale tudo por um voto, e o vereador não pensou duas vezes ao ser cobrado pelos problemas que castigam a cidade.

Além de informar que a responsável é a prefeita, o vereador acrescentou um requinte à informação, prevendo o fim do ‘ciclo Adrianista’ antes do prazo normal do mandato. Leinha disse em alto e bom som que: Adriane não termina o mandato porque vai ser cassada logo após as eleições.

Suas declarações e imagens vazaram e chegaram à imprensa. Ele disse que a prefeita vai cair porque estaria “roubando, metendo a mão no dinheiro do povo” e cometendo “pedalada fiscal”.

Membro da bancada ‘Adrianista’ na Câmara, correligionário do marido da prefeita e ainda irmão evangélico do casal, Leinha deve estar muito contrariado ou então cansou de ser questionado pela população e ter que assumir responsabilidades que não lhe compete diretamente.

A atitude de Leinha dá sequência a uma série de insubordinações e rebeldias do bloco governista no legislativo. Quando foi iniciada esta legislatura, Adriane tinha a seu inteiro serviço 25 dos 29 vereadores.

Quando terminou o primeiro ano do segundo mandato, em 2025, a base já apresentava cisões. Vereadores governistas, pouco a pouco, passaram a votar contra alguns interesses da prefeita, impedindo, por exemplo, a privatização da saúde, além de criar a CPI do Transporte Coletivo.

O primeiro rompimento a ser claramente assumido foi do vereador Maicon Nogueira (PP), do partido de Adriane e primo de Lídio Lopes. Uma das causas do “racha” foi a soma de absurdos cometidos por ela, entre os quais o desvio de R$ 156,8 milhões do Fundo Municipal de Saúde.

Adriane sofreu também importantes desfalques na base política e administrativa, como no caso do ex-secretário municipal de Governo, Marco Aurélio Santullo. Candidato a deputado estadual e braço direito da senadora Tereza Cristina (PP), por quem foi indicado, Santullo é do PP, fato que não o impediu de deixar o governo de Adriane, insinuando que a prefeita e seu marido estariam praticando furtos no comando da prefeitura.

Em grupo de mensagens na rede social, Santullo postou foto de Adriane e Lídio com a frase: “vamos orar para ver quem vamos furtar amanhã”. Lídio processou o desafeto, mas a Justiça arquivou a demanda.
Por isto, e entre estas e outras, cabe aos órgãos fiscalizadores e de controle jurídico, político e contábil (Ministério Público, Tribunal de Contas e Câmara Municipal) afiarem a navalha da lei e ajustarem lentes de longo e invasivo alcance institucional e investigativo.

Cabe a eles o papel do sentinela que em “Hamlet”, de Shakespeare, alertou: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.
Às vezes este alerta chega tarde demais.

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