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Campo Grande, 29 de agosto de 2026
editorial

Ré confessa e acometida de incompetência incurável

  • Geraldo Silva
  • abril 9, 2026
  • 4:42 am
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Ré confessa e acometida de incompetência incurável

Quando se pensava que finalmente a prefeita campo-grandense já havia esgotado todo seu estoque de erros acumulados desde o primeiro mandato, ela apresenta uma nova carga de barbeiragens absurdas.

Agora Adriane Lopes, na extensão alongada de sua incapacidade, ensaia uma espécie de liquidação sumária de um dos bens mais essenciais à vida das pessoas: a saúde pública.

O que a prefeita deseja, e para isto joga na fogueira seu secretário, é entregar a gestão dos serviços municipais de saúde pública nas mãos de Organizações Sociais.

É uma terceirização privatista, sem meios termos. As OSs são entidades privadas. Mesmo juridicamente sem fins lucrativos, operam com lógica de mercado. E esta é uma lógica que se fundamenta no lucro, que, se necessário, pisa sobre o interesse público.
Assim como qualquer empresa particular, o coração que bate em suas regras é o gráfico da entrada de dinheiro, ou seja, a prioridade zero, e só depois disso vêm as atenções e os serviços aos clientes.

E se num sistema de saúde terceirizado os investimentos em viaturas, aparelhagem, leitos e medicamentos representam gasto excessivo e perda da margem de lucro, a “solução” é reduzir custos e investir menos.

Ora, esta é mais uma solene e descarada confissão de inutilidade política, gerencial e social.

Da mesma forma que confessou sua inépcia ao vangloriar-se de ter tapado cerca de 12,2 mil buracos em três meses em algumas partes da cidade, tanto buraco assim nem no solo lunar, a prefeita agora traz a “poção mágica” contra o caos da saúde, setor cujo orçamento este ano é de R$ 2,255 bilhões.

É uma quantidade para não deixar ninguém reclamando sobre base de sustentação financeira para o sistema funcionar razoavelmente bem. É um dinheiro que, em um governo responsável, capaz e sensível, seria suficiente para dar aos pacientes um tratamento minimamente humano, com os cuidados básicos de processos preventivos e curativos.

O Conselho Municipal de Saúde é taxativo: a mudança de gestão não significa automaticamente que serão adquiridos de imediato novos leitos, nem aumentará a oferta de exames e tampouco o enorme fluxo de pacientes poderá ser racionalizado em curto ou médio prazo.

O serviço público seguirá precarizado, além de outro risco em sua gestão: a falta de transparência.

No tribunal que julga os desempenhos em gestão pública, Adriane Lopes vai ser conduzida pelos fatos na condição de ré. E ré confessa.Mas poderá se livrar, recorrendo a um recurso simples, alegando sofrer de uma doença incurável, denominada incompetência aguda.

Só o SUS daria um jeito. Mas o SUS é do povo e o que é do povo não se terceiriza.

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