Quem tem coração, que se preocupe
O desastre em que se transformou a presença de Adriane Lopes no comando político-administrativo de Campo Grande pode ser sentido ou visto de dois jeitos. Um, a olho nu ou por amargas experiências pessoais. O outro jeito é pela imprensa. E são exatamente as notícias da imprensa que motivaram a elaboração deste editorial, por abordarem um fato que é, sem exagero, caso de vida e morte.
Não se trata de manche relacionada ao destino dado pela prefeita aos R$ 156,8 milhões que eram do Fundo Municipal de Saúde e só a ele, o Fundo, deveria pertencer e por ele ser utilizado. Também não é uma reportagem sobre a operação financeira do IMPCG (leia-se: prefeitura) com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, nem sobre o saque de R$ 3,2 milhões dos cofres do Executivo para a compra de kits paradidáticos de uma editora investigada por corrupção pelo Gaeco.
A notícia em pauta neste espaço é a que foi publicada domingo, ontem (12/07), no portal “O Jacaré”, com o seguinte título: “Apesar da Saúde ter R$ 2,2 bi, postos ficam sem monitores cardíacos e até aparelhos de pressão”. A matéria apresenta dados para associar a falta de aparelhamentos indispensáveis em qualquer posto de saúde. O nome diz tudo: posto é de saúde, e não de enfermidade. Mas, sem esses aparelhos, o posto deixa de ser de saúde.
Sem monitor cardíaco e sem aferidor de pressão, as vidas humanas que dependem do SUS estão ameaçadas. Em tese. Ou na prática. Senão, vejamos: dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia informa que, a cada 90 segundos, uma pessoa vai a óbito no Brasil em decorrência de doenças cardiovasculares. A falta de monitores cardíacos em uma rede pública de saúde vem a ser, portanto, uma falha gravíssima.
São equipamentos essenciais nas UTIs, salas de emergência e nos centros cirúrgicos, pois permitem a vigilância contínua dos sinais vitais, como ritmo cardíaco, oxigenação e pressão arterial. No portal oficial do governo federal do dia 1º de setembro de 2025, a cardiologista Adriana Lugo Ferrachini, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, de Campo Grande(MS), (Humap-UFMS), alertava que é silenciosa a maioria dessas doenças.
Os pacientes precisam ser acompanhados e terem monitoramento clínico. Sem isto, as vidas correm perigo extremo. Entretanto, é difícil, ou impossível até, acreditar que a rede pública de uma cidade que tinha R$ 2,2 bilhões no orçamento da saúde ano passado não disponha dos monitores cardíacos e até de aparelhos para aferimento de pressão.
Contudo, pensando bem, ou pensando mal, a escolher, até que coadunam o dito pelo desdito: numa gestão que deixa faltar Dipirona no posto de saúde é possível que os fornecedores deste medicamento tão barato não tenham troco para R$ 2,2 bilhões.