Quem passa por ela sabe o quanto é difícil resistir à fúria das chamas e seguir sem queimaduras
O julgamento de terça-feira (27) no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul era esperado com grande e nervosa expectativa de lado a lado entre as partes protagonistas e torcidas contra e a favor da prefeita Adriane Lopes e sua vice, Camila Nascimento. Porém, antes mesmo de ser proclamada a decisão do TRE, a sociedade democrata e efetivamente comprometida com o vigor institucional desejava e torcia pela afirmação da verdade jurídica e da inteireza dos ritos processuais.
Esta expectativa certamente foi contemplada, não importa quais os interesses ou relações de cada pessoa que acompanhava o processo. O tribunal, em sessão histórica, seguiu sua cartilha ao apreciar com higidez as razões de acusação e defesa, avaliar tecnicamente os fatos e cumprir o ritual que lhe cabe. E apesar de todas as decisões do gênero produzirem vencedores e derrotados no terreno específico da demanda, o que importa é que, em princípio, a saúde processual foi preservada.
Se no contexto da obrigação judicial as coisas correram dentro do que se define na pauta jurídico-judicial, no território da política é factual e visível o ganho político e moral da prefeita campo-grandense. E aqui não se trata de afirmação referente ao seu papel na gestão da cidade, mas à conjuntura política e eleitoral que a envolve, além do desafio de provar que sua ética está e esteve sob seguras salvaguardas pessoais.
Adriane Lopes, que tem sua gestão avaliada com o olhar legítimo deste veículo para a crítica, agora é vista, também legitimamente, por um olhar de reconhecimento. A realidade dos fatos, ilustrada pela decisão do TRE, mantendo-a no cargo, afirma seu fortalecimento. E não é somente o fortalecimento pessoal ou da gestão, mas do próprio instituto soberano do voto popular, o endossador maior da democracia.
O que a sociedade agora espera – e já se antevê – é que a prefeita terá ainda maior e melhor ambiente para governar, livre da pressão diária e recorrente que se acrescenta aos empecilhos ao seu trabalho. Sai, sim, mais forte do vendaval, enfrentado com resiliência e tranquilidade, pois a certeza que só ela tinha sobre sua conduta agora é compartilhada por todos que demonstrarem boa-vontade e interesse em colaborar, não com ela, pessoal ou ideologicamente, mas com a cidade.
A prova foi de fogo. Quem passa por ela, como a prefeita passou, sabe o quanto é difícil resistir à fúria das chamas e seguir sem queimaduras.

