Não é só goleiro ou zagueiro que faz gol contra. Às vezes, por causa da posição em que atuam, são infelizes na tentativa de defender ou de evitar o gol e acabam marcando.
Este não. É daqueles que adoram ser atacantes, daqueles barulhentos, que atacam a tudo e a todos como se fossem golear o adversário. Todavia, não percebem – ou fingem não perceber – que estão atacando contra seu próprio time, fazendo gols contra. E ainda saem a moda Pelé, saltando e comemorando com socos no ar.
Semelhanças com o futebol à parte, há também exemplos desses “jogadores” na guerra, na política, na economia, nos direitos, na soberania e na luta por ideais comuns de um povo. Em todas estas arenas existem jogadores atuando nas mais diversas posições. Atualmente, o Brasil disputa uma das partidas mais desafiadoras de sua história, em razão do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros anunciado pelo governo norte-americano, de Donald Trump.
Em campo, os jogadores que entraram querem cumprir seus papéis, na defesa, no meio-campo ou no ataque. Contudo, fora de campo, apesar da esmagadora torcida dos brasileiros pelo êxito de quem os está defendendo e procurando manter altiva a soberania nacional, uma pequena minoria advoga para o diabo. Isto mesmo. São aqueles que amam fazer o gol contra. E não importa se a derrota levar o país e seu povo a uma crise monumental.
O que importa para essa linhagem de jogadores é fazer o seu gol, não interessa contra ou a favor de quem. O negócio é sair na foto, registrá-la nas redes sociais e incluí-la no seu material de propaganda pessoal.
Escrito isso, aos fatos… A Comissão de Relações Exteriores do Senado, formada por oito senadores, desembarcou nos EUA na anunciada tentativa de abrir algum espaço para uma negociação bilateral.
A missão é ingrata, diante da teimosia e da caprichosa prepotência do presidente Trump, que até ontem [terça-feira, 29] se recusava a conversar ou a receber qualquer autoridade brasileira, a não ser que suas exigências sejam aceitas. Ou seja: os EUA só negociam o tarifaço, uma pauta econômica, se o Brasil concordar em ceder política e moralmente. São imposições políticas atreladas a uma postura rebaixada e encolhida da autoridade e da soberania nacionais.
Os senadores brasileiros não hesitaram em dar a cara a tapa, realizar o que é chamado de “missão suicida” e garimpar, com patriotismo verdadeiro e inteligência, qualquer brecha, a mínima que seja, para que por ela entrem o diálogo e a sensatez. A missão já é exitosa, porque provou compromisso de políticos verdadeiramente fiéis ao sentimento de seu povo. Para azar, choro ou despeito dos que torcem e jogam fazendo gols contra seu próprio país, contra os próprios mandatos, contra a confiança depositada pelo eleitorado, a partir de agora qualquer avanço do Brasil para sair do impasse deve ser creditado aos “suicidas” do Senado.
Liderada por Nelsinho Trad, sem entrar no mérito ou responsabilidade pela chantagem de Trump, a missão brasileira sacramentou sua fidelidade aos brasileiros e aos seus mandatos. Do lado de fora do campo, nos lugares onde estão torcedores e jogadores especialistas em gols contra, não nascerá a grama que muitas vezes falta na pequena área ocupada pelos goleiros.