Pena, MDB, quem te viu…
Encerrado o prazo da janela partidária, o troca-troca de partidos só serviu mesmo para mostrar o estado de indigência daquela que já foi uma das maiores e mais emblemáticas organizações da política brasileira e da América Latina.
É sim, senhoras e senhores, o que até pouco tempo vinha sendo chamado de “bom e velho MDB”. Agora, nem isso mais. É muito difícil chamar de volta um passado que nem tão distante seria se os problemas enfrentados pelo partido não fossem tão corrosivos.
Mato Grosso do Sul, seguramente, está entre os estados onde esta sigla, imortalizada por homens como Ulisses Guimarães, perdeu mais que votos, eleições e militância. O MDB perdeu a essência. Deixou-a confinada na lembrança e nos acervos que retratam a trajetória da frente ampla e aguerrida que nasceu por condescendência de um regime ditatorial e transformou-se no grande executor de sua destituição.
Foi o MDB que nos anos 1980, como única força consentida de oposição ao militarismo, aplicou nele sovas eleitorais tão contundentes que abriu o caminho para a redemocratização.
Esse idílio com a vontade popular e os credos democráticos não avançou além dos anos 2000. Aos poucos, a potência do ‘Emedebismo’ se desmilinguiu na maioria dos estados.
Mato Grosso do Sul é um deles. De eleição em eleição, perdendo votos e posições estratégicas. De denúncia em denúncia, perdendo a confiança da sociedade.
E as perdas continuam. Agora, são os quadros. Uma parcela que saiu na janela partidária foi a dos últimos remanescentes do antigo MDB, como a ex-senadora e ex-ministra Simone Tebet.
Outra parcela é dos que tinham chegado de última hora e pularam para outra embarcação quando viram os buracos naquela em que navegavam.
Em 2022 o MDB fez três deputados estaduais, que juntos somaram 59.975 votos: Júnior Mochi (26.108), Renato Câmara (17.756) e Márcio Fernandes (16.111). Hoje, só Mochi permanece; Câmara e Fernandes já estão em outros partidos.
Também abandonaram o partido outras forças eleitorais significativas, como o ex-deputado federal Edson Giroto e o ex-deputado estadual Jerson Domingos.
Além de Mochi na Assembleia Legislativa e do ex-governador André Puccinelli – que também perdeu o encanto de antes e encara agora o desafio de disputar uma cadeira de deputado estadual -, o MDB já não tem voz política influente, nem peso eleitoral, sendo obrigado a aceitar as migalhas de espaços que, por piedade política, ganha de quem está no poder.
É o triste e apequenado fim de quem já foi grande demais.