Pega na mentira! Com circunflexo e em flagrante!
A prefeita Adriane Lopes, de uma legenda que tem “progressista” na certidão de nascimento, é uma subversiva. Esta não é uma acusação deste editorialista ou da empresa, mas a reprodução de um comentário nada engrandecedor que circula no escurinho dos gabinetes. Que os apressadinhos, se acalmem: a subversão é apenas (apenas?) ética, no âmbito da responsabilidade gerencial, também chamada de mentira.
Contudo, por ser deselegante chamá-la de mentirosa, é bem menos ofensivo tachá-la de subversiva, por estar subvertendo a verdade quando no exercício do mandato, e de forma recorrente, vem fazendo o que fez na campanha da reeleição, ao seduzir parte do eleitorado com promessas irrealizáveis.
A relação desses “contos da triste carochinha guaicuru” é farta, não cabem todos num só editorial. Mas alguns podem ser citados.
Segundo Adriane, sua política pública de saúde é prioridade que só apresenta defeitos em virtude dos problemas criados externamente, por terceiros ou instituições de fora do Executivo.
É mentira. O caos na rede pública reúne tudo que não é feito por quem deveria estar fazendo, a prefeita. E não só nos postos congestionados, na falta de remédios, de médicos plantonistas e ambulância, mas também na rede de cobertura.
Uma das unidades desta rede, tradicionalmente apoiada pelo poder público municipal, é a Santa Casa.
Adriane atrasou os repasses essenciais que a prefeitura deve ao hospital e isso levou seus profissionais (médicos e enfermagem) a suspender atividades.
O impacto desses atrasos no fluxo de caixa impede a Santa Casa de pagar em dia, por exemplo, anestesistas, essenciais na assistência.
Isto significa prioridade à saúde?
No reino de ilusões Adrianísticas outra aventura ‘à la Gepetto’, “pai” do Pinocchio, é a versão numérica do reajuste salarial aos professores. O índice de 4,39% concedido por ela equivale apenas à inflação acumulada pelo IPCA e excluiu categorias com planos de carreira próprios, como os professores.
A prefeita usou sua habilidade de maquiadora dos fatos para enfeitar a “proeza” financeira da gestão, afirmando que este aumento fez de Campo Grande, ‘a cidade que tem o maior piso salarial da categoria’.
Foi desmentida publicamente. Entidades sindicais e o deputado estadual Pedrossian Neto, ex-secretário de Finanças, desmontaram a falácia.
Ela sancionou aos servidores municipais, um reajuste de 4,39%, escalonado em 2,20% em agosto de 2026 e 2,19% em janeiro de 2027. Não cobre a inflação, nem na média, nem nos patamares atuais.
Mas, a dor de quem trabalha duro no serviço público em troca de migalhas não incorpora a felicidade dos privilegiados “barnabés” que tem salários nababescos, como a prefeita, a vice-prefeita e os secretários, cujos aumentos chegam a cerca de 100%.
Assim como as esburacadas ruas da ‘Capital das crateras’, o caos na rede pública de saúde e a tragédia no sistema de transporte coletivo são partes de um contexto de danos sem precedentes que a cidade sofre nesta gestão.
Uma tardia e mal ajambrada intervenção no Consórcio Guaicurus pouco fará resolver os problemas graves do setor, cuja responsável é a gestora do município e árbitra da concessão.
Os buracos que danificam os ônibus são dela, e não do consórcio. O contrato tem suas regras pré-estabelecidas por ela. E se não está sendo cumprido corretamente, o maior poder de fiscalização e revisão é o dela. É ela quem deveria responder, e não responde, por estes desmandos, pelo sumiço de dinheiro da Saúde, pelas dúvidas sobre a lisura dos serviços de manutenção questionados pelo Ministério Público (MPE), pelo “rombo” nas finanças, pela folha secreta e outras histórias que não são de ficção.
A prefeita é boa alma, boa gente, cidadã devotada. Mas não é no Consórcio Guaicurus que ela deveria intervir. Sua gestão é que necessita, urgentemente, deste remédio. Para felicidade geral da Cidade Morena.
