Os seres vivos, em especial os humanos, necessitam de descanso. Para isso existem as férias, a rede na varanda, a casa do parente na roça, o rio para a pescaria com a família e tudo que a saúde reclama para que haja sustentabilidade na existência.
Repousar, contudo, não significa desligar-se da realidade, abandonar o mundo, desfazer-se de responsabilidades pertinentes à chamada “eterna vigilância”. Repousar, enfim, é uma necessidade e é um direito que jamais serão escoras sensatas, nem toleráveis, para ignorar o dever e o papel que cada um é obrigado a cumprir diante de si, da sua família e da sociedade em que vive.
Mas há quem não entenda assim. Há quem entenda, ironicamente, que ser responsável no cumprimento de suas obrigações seja um prosaico favor a terceiros. O exemplo clássico para estas afirmações está aí, aos olhos de quem queira ver, no comportamento de alguns sonolentos e descansados vereadores eleitos pelos campograndenses.
Os parlamentares sabem que são empregados do povo, porque é o contribuinte quem paga seus salários e despesas. Sabem, também, que têm três atribuições irrecorríveis: elaborar a legislação (criando, extinguindo ou mudando leis), fiscalizar o Executivo (não permitir que o prefeito ou prefeita cometa abusos no cargo) e fortalecer a representação do sistema democrático com o Legislativo de trincheira e suporte.
Infelizmente, não têm sido estes os parâmetros que regem a conduta de expressiva parcela – se não a maioria – dos vereadores desta Capital. Na prática, e não em tese, sem prejuízo da autonomia institucional e política, o Legislativo deveria ser o fiscal do Executivo. Porém, tornaram-se hábitos ao longo dos anos a omissão e a chamada “cara de paisagem” do fiscal a contemplar desmando sobre desmando sem mexer um palito ou ao menos assobiar para cobrar transparência, explicações e obrigações do fiscalizado.
Não vale aqui citar exemplos. São incontáveis. Geralmente, a opinião publica menciona os escândalos da gestão e do prefeito Marquinhos Trad. Ele, tal como aqueles que foram eleitos para fiscalizá-lo e inverteram este compromisso, violou criminosamente alguns dos mais comezinhos preceitos republicanos.
Nas contas publicas, na gestão, no comportamento pessoal e no atropelo político-institucional que impôs sobre a Câmara contou a toda hora com a condescendência, os ouvidos moucos, a língua silente e os olhos caolhos de um poder que em várias ocasiões operava mais como extensão de outro. E o voto de confiança do povo indo pro beleléu.
É, Valdir Gomes e outros colegas destes aventurosos mandatos, ainda têm como pretexto ou tentativa de redimir-se, confessar-se envergonhados da Casa em que estão e do que fazem com o mandato nela alojado.