Se a temperatura esfria ou esquenta, quem tem boas condições de bolso, ou bolsa, não se amofina. Liga seu ar condicionado, passeia pela praia, toma um banho refrescante – ou puxa o edredom, acende a lareira, veste casacos, meias de lã, gorros, luvas ou faz outras coisas que só quem tem dinheiro sobrando consegue fazer.
Do outro lado deste disco, o Lado B, a situação é totalmente outra, oposta e perversa. É o lado de quem não tem dinheiro sobrando, aliás, é dinheiro faltando ou inexistente. É por isto que neste ambiente social riscado pelas desigualdades, as pessoas mais vulneráveis e mais expostas ao mau humor das temperaturas padecem dobrado, porque passam frio, adoecem e até vão a óbito alvejadas por problemas respiratórios.
A contradição aqui descrita revela um quadro de diferença crônica entre quem pode e quem não pode. O abismo social só não é maior ou mais profundo porque há pessoas que amam verdadeiramente o próximo, praticam a solidariedade porque são generosas, e quando se dão as mãos a vida parece devolver aos desvalidos o que a falta de dinheiro não havia permitido adquirir: cidadania.
É o que faz quem participa da Campanha “Seu Abraço Aquece – Doe calor e faça o bem!”, promovida pelos servidores públicos estaduais, liderada pela Secretaria de Administração (SAD), com empenho pessoal da primeira-dama, Mônica Riedel, madrinha da iniciativa. Na próxima sexta-feira, 23, quem for ao Centro de Convenções Albano Franco, a partir das 14 horas testemunhará os resultados da campanha.
As doações deste ano somaram cerca de 137 mil peças de inverno: cobertores, calçados, luvas, cachecóis e outros itens em bom estado de conservação. A campanha completa seu 10º ano, com um feito singular: o número de instituições atendidas chegou a 333, o maior desde o início da ação, com uma alcance que já chega a 32 municípios, sendo 273 entidades somente em Campo Grande.
Neste panorama, a contradição entre bolsos cheios e bolsos vazios não afeta a saudável consequência do mau tempo: há pessoas que têm posses, mas sua riqueza de coração, alma e atitude é muito maior. O que conta não se define em papel moeda ou valor. Define-se no amor, num gesto simples e resolutivo de solidariedade.
A primeira-dama do Estado, portanto, lidera uma ampla e generosa frente de convivência humana para que os braços e abraços juntos e aquecidos blindem milhares de seres contra os rigores do inverno. Assim, sempre haverá bom tempo quando o calor humano estiver subindo nos termômetros da vida.

