O povo também possui poder julgador
Um programa de rádio em Campo Grande levantou nesta semana, entre os entrevistados, a questão dos problemas da cidade que demoram a ser resolvidos ou sequer são tratados com a necessária presteza. E esta é uma expressão adequada, que se encaixa perfeitamente nas considerações desta argumentação trazida pela Folha.
Os dicionários e similares definem o vocábulo “presteza” como “a qualidade de agir com rapidez, eficiência e boa vontade” e “realizar uma tarefa, favor ou atendimento com prontidão e sem atrasos, demonstrando proatividade e solicitude para com o próximo”. Isto é presteza – é o que falta há muito tempo na gestão da capital sul-mato-grossense.
A sucessão de atropelos é contínua e vergonhosamente criativa. Vai da sonegação de direitos trabalhistas legais e consolidados, passa por folhas secretas e outros boicotes aos ditames da transparência, e alcança os outros níveis de serviços e obrigações sob a responsabilidade política, constitucional, jurídica e moral da prefeita Adriane Lopes.
Por enquanto, o desgoverno municipal limita-se a ser questionado pelas críticas da população insatisfeita e por meio das vozes de agentes políticos com autonomia para cobrar a gestora. Os órgãos de controle, fiscalização e repressão ainda patinam, alguns avançando um pouco mais nos procedimentos, outros simplesmente dando milho aos pombos. E os dias e as noites se sucedem como no quartel de Abrantes.
Uma das recentes tentativas de arrancar explicações e soluções da prefeita é o esforço para abrir uma das caixas prestas da prefeitura, onde se encontram as fontes das dívidas acumuladas e com elas os mistérios orçamentários da Saúde. Um deles, se desvendado, esclareceria aonde foram parar, e com qual justificativa, os R$ 156,8 milhões que deveriam ser utilizados exclusivamente pelo Fundo Municipal de Saúde.
Não cabe lançar juízo definitivo de valor sobre a prefeita, eis que ela até agora sequer responde a qualquer procedimento investigatório no âmbito judicial. Mas é legítimo e é válido responsabilizá-la por todos os danos que sua inapetência gerencial vem causando à cidade e ao povo.
Quando não é por incompetência, é por omissão; e quando não é por insensibilidade, é por má-fé.
Há vários focos de suspeita e de revolta que incentivam o olhar cada vez mais torto e indignado da sociedade ao ciclo Adrianista.
As transgressões, denúncias e irregularidades envolvendo sua tosca gestão incluem acusações de fraude em Obras Públicas (o MPE investiga superfaturamento de serviços que motivaram operações como a Buraco Sem Fim e Cascalhos de Areia.
E tem mais: serviços não prestados e enriquecimento ilícito de servidores e empresas; crimes sexuais e violência doméstica cometidos por servidores de alto escalão; desvios na Saúde; e aplicação de milhões de reais no fundo de aposentados em investimentos de alto risco com o Banco Master, sem garantias de retorno, esquema operado pelo Instituto Municipal de Previdência (IMPCG).
As investigações, a apuração das responsabilidades criminais e eleitorais e os eventuais sentenciamento dos responsáveis competem às autoridades pertinentes, entre elas o Ministério Público, a Polícia e o Judiciário.
Mas há outro fórum julgador, este implacável e com data definida: é o voto popular, aquele que aprova e desaprova, que consagra e condena, que diz “sim” ou “não”.
É este o julgamento que, infelizmente, só acontece a cada quatro anos. Então, enquanto 2028 não chega, as dúvidas sobre o “sim” ou o “não” à manutenção do Adrianismo ficam nas mãos e na boa vontade do MP, das polícias e dos tribunais de Contas (TCE), Eleitoral (TRE) e de Justiça (TJ). O das urnas fica como “pulo do gato”.
Miau!