O Estado e o abusivo comodismo da gestão folgada
Campo Grande entrou no segundo ano do segundo mandato de uma prefeita que, sem favor algum, pode ser considerada a campeã do comodismo.
Porque a folga chegou aí e parou, desde que o governo e o governador do Estado decidiram ir muito além da parceria institucional e política, para não permitir que a cidade e seus munícipes sofressem as consequências de um crônico abandono.
O Tesouro Estadual é um guarda-chuva que vem socorrendo esta prefeita no sol e na chuva, nos feriados e dias santos. Sem hesitar, e pela refinada sensibilidade de quem governa para as pessoas, o governador Eduardo Riedel, assim como fez Reinaldo Azambuja, seu predecessor, vira e mexe, de vez em sempre, entra em cena para livrar a população do pior.
Às vezes, isto fica mais difícil porque o governador tem outros 78 municípios para cuidar.
Os núcleos de crises causadas pela inépcia da ilustríssima Adriane Lopes são diversos.
Só para anotar alguns: da falta de remédios ao calote nos fornecedores; da folha secreta ao desserviço de transporte coletivo; das obras inacabadas às pífias políticas de educação, cultura e lazer; da tragédia urbana com vias esburacadas e facilmente inundáveis ao “IPTU de ouro”.
E agora, como se não bastasse, como se fosse pouco o caos na rede pública de saúde, agrava-se a crise na Santa Casa. É instituição privada, sim. Porém também atende pelo SUS. É o maior do gênero no Estado. E dia sim, dia não exibe o drama e a ameaça de fechar as portas por falta de recursos. E o que tem a prefeitura a ver com isto, podem perguntar. Tem muito.
A prefeitura é uma das co-responsáveis pela oxigenação financeira da Santa Casa. A prefeita e o governo estadual assinaram contratos de repasses periódicos para o hospital para auxiliar no custeio. O Estado cumpre. Mas a prefeitura, assim como fez com as empresas de ônibus, andou manquitolando no pagamento e ajudou a afundar as finanças. Em consequência, faltou verba de custeio e a folha foi atingida.
Os anestesiologistas param em protesto contra o atraso salarial e as cirurgias eletivas são suspensas.
Sem o serviço especializado e científico da anestesia, é impossível um procedimento cirúrgico, o que implica risco de morte, a depender do caso.
Enquanto este e outros dramas se arrastam numa cidade sem gestão, a gestora e seu cônjuge desfrutavam, plácida e folgadamente, de praias sob o sol no litoral catarinense. Com ou sem anestesia, não se sabe. Até porque gozar a vida não dói.