O erro não foi de quem escolheu
Reeleita para um mandato inédito, porque pela primeira vez em sua história a Capital de Mato Grosso do Sul escolheu nas urnas sua primeira administradora, Adriane Lopes trouxe consigo vários itens de grandeza política e social.
Além do pioneirismo da vitória eleitoral de uma mulher na sucessão local, ela encarnava a perspectiva de instalar um ciclo inovador de gestão, mais sensível e inovador, capaz de atender a população com respostas para demandas e questionamentos acumulados por décadas.
Esta esperança, nascida e crescida no imaginário do eleitorado que levou a disputa para o segundo turno, só prosperou porque tinha sua raiz na atitude espontânea e crédula de quem usou o legítimo direito de ouvir e acreditar na palavra sedutora e perfumada que a candidata derramava aqui e ali.
Dessa maneira, a expressiva parcela dos campo-grandenses que fez uso do legítimo direito de votar em quem acreditou não poderá ser responsabilizada pela escolha feita.
De boa fé, os pouco mais de 50% dos eleitores e eleitoras que votaram em Adriane não poderiam supor em momento algum que seriam submetidos a uma decepção de tamanha magnitude como a que passaram a sentir já nos primeiros meses após a eleição.
Aquela candidata tão bem apessoada e de currículo pomposo não é a mesma que entrou em cena após prestar o solene juramento de posse, quando reeditou o festival de promessas irrealizáveis.
Agora, à frente de um festival de besteiras monumentais, que vão desde o desmazelo financeiro da gastança – com empreguismo político maquiado em folhas secretas e extraorçamentárias – ao calote associado à dura inadimplência, a prefeita ainda consegue fotografar-se sorrindo e como se a cidade estivesse às mil maravilhas.
Nem mesmo as pesquisas que a apontam como a pior chefe de Executivo das 26 capitais tiram dela a pose de superioridade que só engana a quem quer ser enganado.
Para piorar, porque aparecem com recorrência atos e omissões que a fizeram a pior prefeita do País, agora os decepcionados eleitores têm mais um motivo, e gravíssimo, para reavaliar a escolha democrática que fizeram nas urnas.
A gestão de Adriane Lopes guardava – e talvez ainda guarde – assessores de alto escalão envolvidos e denunciados por atos de violência de gênero e abuso sexual, como registrou toda a imprensa.
O povo que escolheu a prefeita não tem culpa desta vergonha que a cidade e seus habitantes estão passando.
Quem sabe seja um indicativo para que nas próximas eleições a palavra emplumada e sedutora de uns e umas vendedores (as) de ilusões não anule a atenção e o cuidado na hora da escolha.