Quando se diz ser corriqueiro em qualquer município assistir ou ler uma notícia sobre esta ou aquela deficiência no atendimento da rede de saúde pública, é compreensível encontrar razões plausíveis. Falta de recursos, de equipes e viaturas suficientes, atrasos no fornecimento de insumos e até mesmo ausência de postos em quantidade compatível com o aumento da população.
Porém, quando se trata da Campo Grande de hoje, nenhum desses motivos se encaixa na realidade, nem mesmo o vertiginoso crescimento da demanda populacional. Há postos e pode haver tantos quantos forem necessários, desde que se tenha um planejamento orçamentário habilitado para socorrer tais necessidades e esteja pronto para preencher os vazios na rede de atenção básica.
O orçamento da saúde na Capital de Mato Grosso do Sul não é o maior do País, mas tem um cofre dos mais recheados. São nada menos que R$ 6,87 bilhões para 2025 e R$ 6,66 bilhões para 2026, cinco vezes maior que 2024. As equipes de assistência – que incluem desde médicos a enfermeiros, auxiliares, servidores operacionais e administrativos – estão ainda na conta antiga, quando a população era bem menor que a de hoje.
Se falta remédio comum na farmácia básica, como o Dipirona, ou viatura para o atendimento de urgência, a inépcia gerencial está presente, pronta para desfiar um rosário de desculpas, quase sempre lançando tais débitos nas costas do governo federal. Pacientes de todas as idades são humilhados e afrontados em situações humilhantes nas filas de espera ou na ida à farmácia básica em busca de remédio que não tem. E pacientes têm a saúde agravada ou morrem, vítimas da demora – ou seria descaso?
Para completar, depois de perder a gestão de um dos principais estabelecimentos hospitalares do estado, o Hospital Regional, e deixar de receber repasses vultosos, a gestão da Sra Adriane Lopes se vê às voltas com o Ministério Público Estadual. A causa é a insuficiência da oferta de consultas em cardiologia adulto na rede pública. Foi aberto um inquérito civil para apurar o caso. Sem cuidados adequados e assistência médica agilizada, o paciente de problemas cardíacos corre risco de morte.
Infelizmente, é triste, porém é a verdade. O quadro é desolador. As pessoas cardíacas que dependem da rede pública municipal correm sério risco. E suas esperanças atualmente são poucas, porque dependem de um doente em situação bem pior: a gestão da saúde, que está colapsada.

