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Campo Grande, 24 de agosto de 2026
editorial

O abismo nosso de cada dia

  • Geraldo Silva
  • maio 9, 2025
  • 2:39 pm
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Quando se fala em profundidade abismal, significa que o buraco – tal qual ensina a sabedoria popular – é mais embaixo. Ou seja: nada é tão fundo que não possa afundar mais. quem duvida é só reparar Campo Grande. Vai ver uma Cidade Morena bem diferente daquela que um dia foi considerada uma das mais belas e organizadas capitais brasileiras.

É triste, mas é a pura verdade. E tudo o que está acontecendo de ruim para os munícipes tem sua raiz na má gestão. Ou na ausência de gestão, para quem prefere uma avaliação cirúrgica. Para completar, o desgoverno avança a passos largos impulsionado por outras ausências, relacionadas aos órgãos de fiscalização e controle, como se pode constatar.

A saúde pública municipal é o caos. O sistema de atendimento está em estado de emergência. Além dos vácuos no estoque de medicamentos, filas intermináveis, falta de profissionais, pouquíssimas ambulâncias e um déficit crônico de leitos, o município perdeu a gestão do Hospital Regional. O HR é o maior hospital de assistência 100% à rede do SUS (Sistema Único de Saúde). Sem sua gestão, a prefeitura está perdendo todo mês cerca de R$ 4,8 milhões em repasses federais, que agora vêm para o governo estadual.

No transporte coletivo, até mesmo para uma Comissão Parlamentar de Inquérito os representantes da prefeita Adriane Lopes reconheceram que não estão conseguindo nem mesmo fazer a fiscalização dos serviços para exigir da concessionária que cumpra o contrato e atenda melhor os usuários. Os ônibus continuam com idade de uso vencida, em sua maioria. Cobertura nos pontos é um sonho distante, assim como climatizadores. A prefeitura não paga o compromisso mensal com o Consórcio Guaicurus, que além de fazer empréstimo para pagar seus funcionários ainda vive na dependência do auxílio do governo estadual.

Crateras nas vias públicas e alagamentos inevitáveis durante as chuvas; servidores desestimulados, como os administrativos da Educação que a prefeita deixou de mãos abanando ao reajustar salários do Magistério; a manutenção de drenos das finanças, que incluem repasses pela chamada folha secreta e desembolsos esquisitos em compras e contratos são também pontos de investigação, reparos, intervenção e demais ações constitucionais e legais que não acontecem.

E é aí que está o segredo desse buraco que afunda mais a cada dia: o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas não se manifestam como deveriam; e a Câmara de Vereadores, condescendente e acumpliciada, com a maioria de seus membros escorados em favores da prefeita, ausenta-se de suas responsabilidades mais efetivas na obrigação de fiscalizar o Executivo. Mas isto não vai acontecer, a menos que vários dos eleitos para defender o povo abram mão do generoso cabide público de empregos em que penduram familiares, amigos e cabos eleitorais.

De abismos, a gestão campo-grandense é uma grande cavucadora.

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