Na política, a credibilidade é a garantia
Houve um tempo em que o fio de barba e a palavra empenhada eram suficientes para fechar um negócio.
Promessa feita tinha valor absoluto e ai daquele ou daquela que não a cumprisse – ficaria condenada ao descrédito e ao estigma da vergonha às vezes, ou quase sempre, pelo restante da vida.
Era uma lei imposta naturalmente pela cultura e pela educação que equilibrava as relações humanas.
Esse tempo passou e o fio de barba é hoje adereço de uma simbologia nada salutar, porque remete ao preconceito de gênero, conferindo ao homem uma exclusividade de méritos associada às suas propriedades hormonais.
No entanto, a palavra empenhada nunca perdeu seu valor. É a marca indelével de pessoas que cultivam e não desdenham predicados como responsabilidade, ética e honra.
Neste capítulo instigante da existência, das histórias e atividades dos seres humanos, o cumprimento da palavra dada é um dos maiores desafios postos no caminho de quem ingressa na vida pública, especificamente na política.
Há quem se acostume a desdizer o que disse e a não realizar aquilo que prometeu. E há quem faça questão de honrar a palavra empenhada, até sob as mais desfavoráveis condições. É uma questão de credibilidade.
Esta foi a credencial que no segundo turno da sucessão estadual 2022 garantiu na balança o peso decisivo para a vitória de Eduardo Riedel. Com sua credibilidade, o governador Reinaldo Azambuja liderou entendimentos complexos atraindo forças que estavam em palanques opostos no primeiro turno. E elas completaram o arco de adesões que sacramentaram o triunfo de Riedel.
Quatro anos depois, o cenário é semelhante. Com uma diferença: a costura naquele segundo turno agora precisou ser feita no primeiro. E muito mais exigente, dolorosa, impondo argumentações sólidas e persuasões dentro do plano real, nada de divagações, de dúvidas, de “quem sabe”. Sem favor, uma missão que, provavelmente, só Reinaldo Azambuja levaria adiante, com sucesso.
Estavam em jogo a chance real para a reeleição do senador Nelsinho Trad e, de contraponto, o risco também real de perda de capilaridade das chapas majoritárias com as candidaturas ao Governo e ao Senado.
E foi um dia antes da convenção que o martelo da solução bateu em Mato Grosso do Sul e ecoou em Brasília, reverberando dois gestos de extraordinário valor: a capacidade articuladora e acreditada de Azambuja e a grandeza de Nelsinho.
Um convenceu o outro sobre a necessidade de recíprocas entregas a um projeto comum, que ficou maior e mais forte, ampliou a capilaridade do bloco eleitoral liderado por Riedel. E ficou provado, mais uma vez, que a política vale a pena quando é feita por quem cumpre a palavra.
