Lá e cá diferenças oceânicas em obrigações iguais.
A Câmara dos Deputados ofereceu ao Brasil na tarde-noite de ontem terça-feira, (09/12) e na madrugada seguinte dois momentos dos mais vergonhosos de sua história e da própria história política do País. Um resumo basta para apontar o que todos os brasileiros estão sabendo, de cor e salteado: a absoluta falta de capacidades política, entre elas do deputado Hugo Mota para presidir a Casa fomentou uma sucessão de fatos maculadores de um ambiente que deveria ser sagrado e limpo para a afirmação da democracia.
Há poucos dias um grupo de deputados de direita desrespeitou a Casa e a presidência impedindo, à força, a realização de sessões. E não houve para eles a necessária e obrigatória penalização regimental. Então, ontem foi a vez de um parlamentar de esquerda tomar assento à mesa, na poltrona do presidente, para abrir e conduzir a sessão, pelo microfone da presidência.
Erraram ambos, os da esquerda e o da direita, porém a frouxidão de um gestor pusilânime expôs a sua total inépcia para o exercício de um cargo que já teve como titular, entre outros, Ulisses Guimarães – que a estas horas deve estar revirando-se nos terrenos do além, entre triste e indignado.
O pior, contudo, e isto Ulisses não permitiria, é o imenso e perigoso descompasso nas relações pessoais entre parlamentares, todos, em princípio, sem qualquer vontade de seguir a liderança de Mota ou até mesmo ouvi-lo.
Se o presidente da Câmara e a maioria dos deputados rifam de sua cartilha comportamental o respeito à casa onde a democracia deveria ter piso e cobertura, o País fica perigosamente capenga, vulnerável a toda e qualquer instabilidade.
Em contrapartida, e felizmente, este grave tipo de desconstrução política e institucional não tem eco em Mato Grosso do Sul, estado que possui um dos ambientes institucionais mais sólidos no que se refere às relações intralegislativas.
A Assembleia Legislativa (Alems) possui 24 deputados estaduais. São 24 pessoas, cada uma com seu senão, sua escolha, sua ideia, seu projeto, seu partido, enfim, sua capacidade. Mas não importa o grau de capacidade ou de acerto em cada escolha. O que importa é que os 24 deputados convivem com suas diferenças, às vezes se excedendo, o que é normal. Porém, sem oferecer riscos ao equilíbrio institucional.
A Alems é, por isso, um poder de efetiva confiança e sustentação dos demais, em especial o executivo, a quem dá o necessário suporte para realizar tudo que vem fazendo deste um dos estados de melhor condição e resultados na resposta aos desafios do desenvolvimento econômico e social, além, evidentemente, do fortalecimento da democracia.
Mota deveria passar por aqui só um pouquinho pra aprender como é que se faz.