Há buracos que já nascem tapados
Parece que a prefeita de Campo Grande adora fazer o povo de bobo ou então é amor demais que, de tão arrebatador, não exige que se declare na transparência dos atos e na grandeza das atitudes. O amor, desse jeito, acaba sendo transformado em algo casuístico, supérfluo ou até sazonal, daqueles que só existem quando bate o sino da necessidade.
Não seria necessário fazer esse joguinho de esconde-esconde se a excelentíssima senhora Adriane Lopes, em seu segundo mandato, com a caneta mais poderosa política e administrativamente da Capital de Mato Grosso do Sul, tivesse feito a lição de casa mais prosaica: a faxina.
Sim, porque numa faxina bem feita, além da varredura da sujeira e do banho de essências perfumadas, também se faz o remendo do que descolou e se tapa o buraco que abriu.
De uma prefeita que não faz essa obrigação simples não se cobra o ideal, que seria asfalto novo e de boa qualidade, não as películas finas e frágeis que não resistem às primeiras garoas. E está assim a cidade: com buracos nas ruas e rombo nas contas da prefeitura. Mas a dona da caneta e responsável pelo serviços prefere jogar terceiros na fogueira, como vem fazendo ultimamente, mandando seu secretário de Infraestrutura para dar à Câmara Municipal as informações sobre as operações tapa-buracos que já foram realizadas e pouco ou quase nada taparam.
E o secretário, que como se sabe cumpre ordens da patroa, faz o jogo de cena. Pede 15 dias para responder questionamentos elementares e previsíveis, cujas respostas devem ou deveriam estar fáceis de fornecer abrindo os relatórios contábeis e de execução de serviços de engenharia.
Mas o mistério pousou nesta cratera e sobre ele existe um espesso véu de “senões” e “depois”. Se imperassem lógica, responsabilidade, bom senso e respeito pelo povo, já no primeiro instante da interpelação legislativa a prefeita, por meio do secretário, responderia “na bucha”, explicaria os porquês sobre o dinheiro gasto, o grau de qualidade e a quantidade dos serviços feitos e os que falta fazer.
Não seria necessário instaurar uma CPI, nem mesmo um pedido de informações, se a prefeita tivesse como prática prestar contas de seus atos, ser transparente de fato e de direito e não de fantasia, governar com todos e para todos, sem excluir uns e privilegiar outros de acordo com seus princípios gerais.
Por conta desta retrógrada seletividade, a cidade deixou de ampliar e fortalecer seu arco de parcerias, limitando-se a ser socorrida pela boa vontade de um governo estadual republicano.
Por tudo isso e outras coisas mais, já se pode constatar que nem todos os buracos da cidade foram tapados já com 50% do mandato da prefeita vencidos, enquanto nas contas da municipalidade o rombo da insolvência já nasceu tapado.
Ninguém sabe, ninguém viu. Só se sabe que a prefeita começa a ter o troco da realidade, sendo condenada a devolver verbas públicas mal utilizadas.
Mais chato ainda é saber que Campo Grande voltou a ser chamada de Buraco City.


