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Campo Grande, 21 de setembro de 2026
editorial

Grandeza não é tamanho, porque é imensurável

  • Geraldo Silva
  • agosto 2, 2026
  • 5:45 am
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Grandeza não é tamanho, porque é imensurável

A política, mesmo feita de várias formas, é de uma só raiz, de uma só essência: o reconhecimento tácito da possibilidade humana de construir o bem comum.

Foram os gregos que deram à luz esta expressão, conceituando a política, mais tarde interpretada também como uma ciência ou arte social pela qual se busca os caminhos para gerir, organizar e cuidar do interesse coletivo.
Quem se dedica a esta busca faz política. E se por ela é capaz de todo sacrifício e toda renúncia, e até se negando a vantagens individuais legítimas, cumpre os preceitos nobres que também inspiraram os gregos de Clístenes a inventarem a democracia – demos (povo) + kratia (governo).
E foi assim que a Grécia Antiga capacitou a Humanidade com sua mais importante lição de convivência.

Apesar do estigma com que uma grande parte da sociedade – talvez a maioria – demoniza os políticos e a política, não raramente temos exemplos de fatos e atitudes que contrariam esta versão estigmatizadora.
Há, sim, bons políticos e boa política. Ou não haveria avanços sociais e econômicos nas sociedades.

Todos os partidos tem programas, ideias e soluções para contemplar as legítimas demandas de um povo. Mas os partidos são constituídos por pessoas, e as pessoas, mesmo num ambiente corporativo, não são iguais, há quem ande para a frente e há quem ande para trás.
Por isto, é fundamental, ao máximo, analisar detidamente quem é quem, conferir passado e presente de cada agente político, saber o que faz e o que não faz, depois julgar.

Mato Grosso do Sul assistiu no último final de semana um exemplo de como fazer aquela política de essência nascida na Grécia para despertar os homens e instruir suas consciências sobre a viabilidade de edificação do bem comum. Na sexta-feira, tendo no bolso pesquisas favoráveis que o lançavam ou ao primeiro ou ao segundo lugar nas pesquisas, o senador Nelsinho Trad retirou sua pré-candidatura à reeleição.

Entre os principais motivos, um chamou a atenção: saindo da disputa, ele garantiu que o grupo de partidos em que está tivesse dois candidatos às duas vagas senatoriais.

Nelsinho ficou fora da concorrência, entendendo que, assim, a votação da frente partidária pró-reeleição do governador Eduardo Riedel ficaria mais compacta e a capilaridade da chapa seria ampliada.

Foi, de qualquer forma, um sacrifício, um ato claro de renúncia a uma concreta possibilidade que o senador tinha de se reeleger.

E aí está, no gesto desprendido e de maiúscula grandeza, a demonstração de que a política tem essência e conceito de valores que só são exigidos à prova nos momentos de entregas pessoais como esta, de alguém que controla suas ambições, não se embriaga de vaidades, não confunde individualidade com individualismo. Boa políticas e bons políticos ainda existem. É o que nos anima.

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