Na terça-feira passada a prefeita Adriane Lopes – pasmem! – foi a Brasília e entrou num dos gabinetes do governo petista para participar de audiência com ministro e assessores do presidente Lula. O motivo deste “sacrifício” descomunal: um auxílio de emergência para a recuperação da cidade, parcialmente devastada pelos temporais.
Na semana anterior, ela, a prefeita, já havia decretado o estado de emergência por causa dos estragos causados pelos ventos, chuvas e raios. Mas temporal não é novidade em Campo Grande. Nem temporal e nem estragos. Talvez nem fosse necessário um decreto para oficializar a tal de emergência, situação que a Capital já vem vivendo desde a investidura da prefeita no poder, em abril de 2022.
Já lá se vão 4,4 anos. Ou 52 meses. Ou mais de 1500 dias. Pois então, faz tempo. Faz muito tempo que a Capital de Mato Grosso do Sul, outrora uma das mais belas e progressistas do Brasil, das ruas largas e espaços urbanos bem cuidados, entra mês, sai mês desviando-se das buraqueiras, atoleiros e outras depressões viárias que infernizam a vida dos transeuntes e condutores de carros, motos, bicicletas e carroças.
Uma prefeita que governa ignorando a laicidade do Estado e põe na mesma vala de maldição política – e até religiosa – quem não acata a verdade absoluta que seu poder material tenta impor. Ou seriam outras as razões pelas quais a gestora optou por governar total e absolutamente sem precisar de ninguém, sem ouvir vozes sensatas, menosprezando a dependência que um município tem de governo estadual e federal?
A cidade está com expressivas frações urbanas destroçadas, mas o temporal não é o grande vilão, como a prefeita tenta enfiar no imaginário popular, pintando com tintas de fantasia a lousa obscura de suas versões. Obras inacabadas, praças mal cuidadas, ruas mais esburacadas que os queijos suíços, árvores “caem-não-caem” apodrecidas sobre os passeios públicos, vias sem absorção de águas de chuva e sem estrutura completa para a vazão – tudo isso é situação de emergência que não precisa ser golpeada por raios, trovões, chuvaradas e quetais.
Dizem que em Brasília, diante dos assessores de Lula, a prefeita teria passado por sério desconforto, mas logo se refez diante da visão esperançosa de um robusto SOS do Planalto: mais de R$ 40 milhões. É nessas horas de temporais, ventanias e situações de emergência que a presença de cifrões socorristas colocam em cena o refrão daquela sábia canção de Paulinho da Viola: “Dinheiro na mão é vendaval”.
Ah! O nome da música do Paulinho da Viola: “Pecado Capital”. Nada a ver com Campo Grande. É só coincidência.