Campo Grande está triste, sem perspectivas, como se estivesse condenada a um destino ingrato
O povo campo-grandense teve muitos motivos para se orgulhar de sua cidade. Cantada em verso, prosa e outras narrativas verdadeiras, ela é, entre outros predicados, hospitaleira, generosa, empreendedora, alegre e urbanisticamente bem desenhada, um município de ruas largas e dos mais arborizados do País. Isto tudo, é evidente, graças a administradores competentes e ao protagonismo de um povo idealista e honrado.
Infelizmente, esta coleção de ilustradas belezas perdeu expressiva parte de suas peças nos últimos anos. Ao contrário de outrora e mesmo conservando itens que a lapidaram num perfil progressista e encantador, Campo Grande hoje se descaracterizou. É uma cidade que entristeceu e sente-se humilhada, sem perspectivas, como se estivesse condenada a um destino ingrato.
De tanto ser maltratada covarde e sistematicamente por uma gestão sem rumo, ausente, inapta, contaminada por fundamentalismos religiosos e de olhar egocêntrico, a cidade está envergonhada. Não tem culpa pela prefeita que escolheu, não poderia deixar de acreditar numa religiosa de belas palavras e promessas reluzentes, porém só agora constata ter sido vítima de um engodo.
A cidade, de fato, está envergonhada. Mas não derrotada. Ergue seu clamor e sua indignação, faz da decepção e da revolta instrumentos poderosos para não se curvar ao derrotismo, nem aceitar o desgoverno de Adriane Lopes como um fato consumado e definitivo. Há esperanças na lei e na Justiça. A razão está com o povo que votou e foi enganado, que não quer ver seu dinheiro tomado pelos impostos caindo no ralo podre e escuro do compadrio, do empreguismo.
Os poucos que ainda tentam encontrar pretextos amarelados para esticar o crédito de confiança já devem estar sendo acuados pelos dados de pesquisas recentes sobre popularidade e desempenho da prefeita. Os números são implacáveis: 80% dos eleitores desaprovam a gestão, 60% a classificam de ruim ou péssima e cerca de 70% de quem votou nela estão arrependidos ou não repetiriam o sufrágio.
É no que dá a prepotência. É no que dão a arrogância, a hipocrisia, a inépcia e o negacionismo político. Enfim, é no que dá uma gestão de quem só olha o próprio umbigo e adora ter por perto a patotinha de bem remunerados bajuladores, com e sem mandato. Ainda bem para o PP que não é de Adriane que vive o partido.

