No primeiro ano do segundo mandato, e diante de um quadro que não lhe seria politicamente dos mais favoráveis, a prefeita Adriane Lopes toma corajosa e necessária atitude. Troca o conforto de aplausos fáceis para medidas populistas e pouco duradouras pela audácia gerencial que é decapitar a cabeça de gastos secundários.
É a lição de casa, que de tão prosaica torna-se a mais complexa, de maior impacto no desgaste que na celebração. Porém, é afirmação efetiva de ganhos éticos, administrativos e financeiros, garantidos com sensatez, responsabilidade e inteligência para capacitar o gerenciamento público.
A cidade precisa, acima de tudo, de soluções consistentes. É o que a prefeita demonstra estar querendo oferecer. Em princípio, está tomando um cuidado fundamental, que é fechar as torneiras de custeio, sem afetar os desembolsos para as demandas essenciais, sobretudo na prestação dos serviços de saúde, educação, assistência e manutenção urbana.
Para que isto seja possível, é vital interromper vigorosamente todo e qualquer gasto acima do limite inflacionário. Neste sentido, a gestão já encaminhou à Câmara de Vereadores um programa emergencial de ajuste fiscal, cujos frutos alimentarão uma das reivindicações mais prementes desta Capital, que são as obras de pavimentação e restauração da malha viária urbana.
A criação do teto de gastos, inclusive com pessoal, a centralização financeira e o leilão de pagamentos para possibilitar descontos com os fornecedores, frequentam também o conteúdo das providenciais decisões que estão sendo adotadas. Não há como negar a realidade: é mais do que visceral a prescrição do remédio amargo, aquele que não tem açúcar nem sabor de vinho, mas é o que instala a disciplina do tratamento e vai abrir o caminho da cura.