Não há como afirmar hoje, sem medo de errar, qual será o quadro das disputas eleitorais que acontecerão dentro de dois anos em Mato Grosso do Sul. As certezas são bem poucas, e todas dentro dos limites da lógica. Como na política a lógica muitas vezes vira mero detalhe e nem sempre se impõe, melhor é trafegar com segurança e cuidado pelos caminhos deste debate.
As poucas certezas que existem e são inegáveis decorrem do saldo das urnas de outubro passado, quando 79 municípios elegeram seus líderes nas prefeituras e câmaras de vereadores. Além das lideranças que emergem, das que se confirmam e das que se repetem ou caem no vácuo, o mesmo ocorre com os partidos. Os eleitores são implacáveis e definem o campo de jogo.
Contudo, não se pode dar trato definitivo a certezas locais sem levar em conta os impactos causados pelos efeitos nacionais das eleições. E este é um capítulo dos mais agradáveis que partidos como o PSD e o PSDB podem ter nesta história.
Sim, senhoras e senhores, o PSD de Nelsinho Trad e o PSDB de Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel deram as cartas nas eleições de 2024 e continuarão dando em 2026, talvez continuando a jogar de mão e sorteados pela posse dos coringas do jogo. É evidente que, pelo perfil e pelo estilo de seus líderes e dirigentes máximos – os tucanos com Azambuja e o PSD com Nelsinho e o presidente nacional, Gilberto Kassab -, haverá parcerias, das mais amplas.
Os pessedistas voam em céu de brigadeiro graças ao turbinado jato eleitoral que carregou consigo o maior número de prefeituras deste Brasil em relação às demais agremiações. Os tucanos guaicurus são exceções de um País em que o partido, mesmo sendo nacional, hoje é basicamente uma força poderosa e acreditada, contudo estadual. Fizeram, além do maior número de prefeitos, a maior legião de vereadores e vices.
Em plano intermediário, mas de respeitável alcance, o PP da senadora Tereza Cristina só respirou aliviado quando as urnas do segundo turno em Campo Grande confirmaram a reeleição de Adriane Lopes. Se ela perdesse, perderiam juntos o PP e a senadora. Especula-se que os progressistas sonham com a filiação de Riedel. Sonhar custa nada. E a Capital é um território de excelência eleitoral e política.
Ficam no mar das incógnitas alguns partidos dos quais se esperava um pouco mais, como o União Brasil, o PT, o MDB e o PL. Uns, por falta total de quadros competitivos para disputas majoritárias; outros, em virtude dos perfis geopolíticos de siglas que não têm ainda a inserção popular necessária e ampla, limitando-se a respirar em um e outro município.
Que as lógicas se manifestem, porque seu tempo de definição ainda não chegou. Fica para 2025, quando o andar da carruagem se acelerar. Até lá, especular é livre.