A outra face de Adriane
Sabe-se lá se é por falta de tentativa ou por saber que não lograria sucesso, a Adriane Lopes prefeita não é a Adriane Lopes candidata. E as evidências são muitas, compõem realidades escancaradas diante de um município com mais de 900 mil habitantes.
Bastam alguns exemplos para comprovar estas lamentáveis observações e comparar: aquela Adriane do palanque, com solução para tudo, não é a mesma Adriane prefeita, com nada de resposta para os problemas.
Não é intriga de oposição. Até sua própria base de sustentação se dividiu porque não aguentou ver tanta contradição numa pessoa só, a ponto de desmentir e negar a si mesma por palavras e atos.
O vereador Maicon Nogueira, do PP, mesmo partido da prefeita, era fiel escudeiro. Não é mais. Desistiu. Decepção brutal.
Virou oposição, cansado de ser cobrado por gente que o intima a exigir de Adriane providências que ela não toma.
Na campanha pela reeleição, quem se lembra? Adriane candidata era a santa guerreira contra os dragões do nepotismo, do empreguismo, do desperdício de verba pública, da irresponsabilidade gerencial, da falta de transparência, da incompetência, da imoralidade, da injustiça e das mentiras.
Convenceu a maioria do eleitorado, foi reeleita e recostou-se nas macias poltronas do poder, renegando o que havia dito e jurado.
Caneta e chaves do cofre da prefeitura às mãos, a Adriane de hoje sepultou a de ontem e mostra seu Lado B.
Sua gestão abriga legiões de apaniguados: parentes, ex-vereadores e fiéis do mesmo credo religioso, todos cabos eleitorais, pagos com o suado dinheiro do contribuinte, um empreguismo recheado de nepotismo.
Transparência é lenda, porque a folha secreta está na ordem do dia. Responsabilidade bateu asas e voou, deixando em seu lugar um ambiente propício a escândalos e abusos confessados por servidores de escalão superior, de sua inteira confiança.
Os buracos que devoram a cidade são provas do desleixo e do desgoverno. A incompetência dirige o sistema falido de transporte coletivo, numa tremenda barbeiragem.
E a saúde? Bem, a saúde vai mal, e não por culpa dos servidores, castigados pela insensibilidade de uma prefeita que se nega a cumprir a lei para não pagar corretamente os salários da categoria. E pode piorar, se a prefeita e ex-candidata conseguir emplacar sua ideia de transformar os Centros Regionais de Saúde (CRS) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Organizações Sociais.
Vai arrebentar com o SUS, que tanto defendia na campanha. Vai desmoralizar o próprio discurso em prol do interesse público, dando à iniciativa privada um sistema de terceirização que pode ser a pá de cal na esperança de quem precisa da atenção gratuita e de qualidade.
E tem o requinte perverso da falsa austeridade, com a retirada de quase R$ 20 milhões da Educação, sacrificando merenda, uniforme, material escolar e serviços para cobrir a folha de pessoal.
Procura-se a Adriane Lopes de 2024 e as soluções prometidas. A que está na prefeitura pode ser uma imitação. A face é a mesma. Só a face.

