A “dona da verdade” virou propriedade da mentira
Se ela disser que “está tudo em ordem”, que as coisas “estão sob controle” ou coisas parecidas, duvidar terá sido muito pouco. Ou quase nada. Isto porque ela, a prefeita de Campo Grande, usa e abusa de um direito defeituoso que recomenda classificá-la, por ironia semântica, de “dona da verdade”.
Isto se dá quando o ser humano tem pés alérgicos ao chão e às sandálias da humildade. E estes seres são dotados de dons excepcionais, miraculosos, entre os quais o da suprema autossuficiência, aquela coisa que obriga escribas e fariseus a não ouvirem sugestões, a não aceitar a ponderação, a fechar-se em copas com a sua própria versão como se fosse a verdade única e indiscutível.
Campo Grande é administrada por uma versão, não por um ser político real e humanamente acabado em suas configurações políticas, éticas e sociais. Sabe-se lá qual cartilha deve ter copiado ou qual foi a fonte de consulta que a motivou a decretar um IPTU tão ruim, mas tão ruim, que revoltou até seus próprios aliados.
Parece que, por falta do que fazer – de bom -, a prefeita decidiu tocar fogo na própria casa. E pôs a culpa no mordomo. Coitado, ele que já anda tão cabisbaixo com o famélico salário que ficou ainda menor diante do carnê do IPTU “de ouro”.
Bem fizeram os vereadores. Foram tão criticados, mas agora são dignos do reconhecimento da sociedade, porque desembarcaram de uma canoa que parece “tauba de tiro ao árvaro” de tão furada. Ficaram ao lado do povo, não endossaram a bordoada implacável da “dona da verdade”, a que não erra…mas também não governa.
Os vereadores fizeram o que os campo-grandenses esperavam. Com objetividade, tomaram a decisão e criaram um mecanismo na tentativa de barrar ou minimizar ao máximo os danos que a carga de imposto causou às economias domésticas. Agora resta esperar o que farão a prefeita e seus “especialistas” nas finanças. Que nos previnamos todos. Afinal, a “dona da verdade” tem uma gestão que mente sinceramente como ninguém.