Na terça-feira (1º), Campo Grande viveu um dia especial de sua história política
O Legislativo só se efetiva na prática como um poder institucional das democracias em dois fatos únicos. O primeiro, na inscrição jurídica de sua legitimidade, por meio do batismo soberano das urnas. O segundo, na sequência, quando o exercício dos mandatos que o compõem cumpre a mais prosaica lição constitucional básica, aquela que define o interesse público ou a vontade popular como o alicerce central de funcionamento do sistema democrático.
Na última terça-feira, 1º de julho de 2025, Campo Grande viveu um dia especial de sua história política. Em uma decisão unânime dos seus vereadores, o Legislativo derrubou o veto do Executivo ao projeto de lei que obriga o poder público municipal a fornecer mamadeiras, fraldas e outros insumos às pessoas com deficiência.
Em outras palavras, os vereadores deram seu vigoroso “sim” a um projeto que retornou à Câmara com um “não” do governo municipal. Se no território da inclusão social a decisão é providencial e vem socorrer a milhares de campo-grandenses necessitados desses insumos, no plano político-institucional a dimensão deste resultado pode ser avaliada por um dado impactante: nos últimos anos, a larga maioria dos vereadores é da base governista, vota quase sempre a favor do Executivo.
Outro recorte que realça os recortes de isenção e espírito público do poder está na autoria do projeto, cujo DNA tem assinaturas de quatro vereadores, três deles estabelecidos na mais feroz trincheira oposicionista à gestão de Adriane Lopes. Estes meandros precisam ser bem sopesados, pois eles indicam que a Câmara Municipal vem fazendo a diferença nesta legislatura.
Ao efetivar-se como ambiente de debates amplos e democráticos, propondo, discutindo e encaminhando soluções para antigos problemas – como nas questões das emendas parlamentares federais, do transporte coletivo e da melhoria dos sistemas de saúde e urbanismo -, o Legislativo credencia-se como sustentáculo eficaz e colaborativo do Executivo, sem prejuízo das autonomias. Está a demonstrar que oposição a governo não é necessariamente oposição aos interesses da população.
No saldo de tudo, a recomposição política e histórica da Câmara de Campo Grande tem a ver com um fator determinante: a liderança de um dirigente capaz e preparado. Epaminondas Papy não obrigou a sociedade a esperar mais tempo. Levou menos de seis meses para que todos vissem e testemunhassem equilíbrio, responsabilidade, comprometimento com as demandas legítimas do município e vocação para o diálogo.
As ideologias têm seu espaço assegurado, eis que a Mesa Diretora adotou mecanismos simples e objetivos de valorização dos vereadores, dos partidos, da imprensa e dos eleitores que vão a um espaço no qual a cidade e todos os seus habitantes têm voz e vez. Que esta cena não mude, se fortaleça a cada dia. Campo Grande será maior!

