Ex-presidente, condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado, é levado à Superintendência da Polícia Federal no DF.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (22/11) por agentes da Polícia Federal, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Policiais chegaram por volta das 6h ao Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, e conduziram Bolsonaro à Superintendência Regional da PF, no Distrito Federal.
A prisão ocorre em caráter preventivo, antes mesmo do início do cumprimento da pena imposta no processo que investigou a tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, pena resultante da acusação de liderar uma organização criminosa armada, tentar abolir o Estado Democrático de Direito e promover atos golpistas com danos ao patrimônio público.
A decisão foi tomada após a Primeira Turma do STF rejeitar os embargos de declaração apresentados pela defesa. Moraes afirmou que “não há qualquer contradição no acórdão condenatório”, mantendo a decisão original.

Da prisão domiciliar à detenção preventiva
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, por descumprimento de medidas cautelares impostas em outro processo. Durante o período:
Sua casa no DF passou a ser monitorada 24 horas;
Ele foi proibido de usar redes sociais, participar de transmissões on-line e manter contato com diplomatas;
Foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, cumprir recolhimento noturno e evitar aglomerações políticas.
Apesar das restrições, o ex-presidente participou de vídeos e teve aparições públicas não autorizadas, o que motivou medidas mais duras. Em 4 de agosto, antes de a ordem domiciliar ser assinada, Bolsonaro foi visto circulando normalmente pela cidade — em padaria, barbearia, lotérica e na sede do PL.
A condenação no STF e impacto político
A condenação de Bolsonaro foi concluída em 11 de setembro, com placar de 4 votos a 1. Além da pena de prisão, o STF ampliou sua inelegibilidade, já em vigor desde decisão do TSE em 2023.
Com o novo julgamento, Bolsonaro só poderá voltar a disputar eleições em 2060, após o cumprimento integral da pena e o prazo adicional determinado pela Corte. Na prática, o ex-presidente está afastado da política eleitoral por mais de 30 anos.
O STF também rejeitou os recursos de outros integrantes do chamado “núcleo 1” da trama golpista, confirmando penas entre 16 e 27 anos para os condenados.
Contexto internacional e pressões recentes
A prisão ocorre em meio a uma série de pressões internas e externas. Antes da decisão, circulavam informações de que os Estados Unidos avaliavam medidas contra Bolsonaro com base na Lei Magnitsky, fato posteriormente confirmado.
O governo Trump, que havia imposto tarifa de 40% a produtos brasileiros, chegou a citar publicamente a crise institucional envolvendo Bolsonaro e o STF.
O ex-presidente permanece sob custódia da Polícia Federal, e novos desdobramentos devem ocorrer nos próximos dias com a definição do local onde cumprirá prisão preventiva e o andamento dos demais processos aos quais responde.






