Denúncia é do dia 18 de setembro e assinada por dois promotores de Justiça; ex-chefe da Polícia Civil de MS afirma que agiu para se defender
O ex-delegado geral da PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), Adriano Garcia, foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público Estadual) após dar tiros contra o carro de uma jovem de 24 anos, em uma briga de trânsito que acabou em perseguição na Avenida Afonso Pena, no dia 16 de fevereiro de 2022. O documento vai completamente contra a investigação feita pela Corregedoria da Polícia Civil.

A denúncia é do dia 18 de setembro e é assinada por dois promotores de Justiça: Cristiane Amaral Cavalcante e Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos.
Em oito páginas, eles rebateram toda a investigação da corregedoria que inocentou o delegado e concluiu que ele agiu para defender outras pessoas de um “risco maior” ao abordar, perseguir e atirar no carro da estudante Iasmin Teruya Oshiro.
Para os promotores, a atitude de Adriano não passou de um “sentimento particular de indignação” diante da reação da estudante ao buzinar para ele: mostrar o dedo do meio. Foi por causa disso, segundo o Ministério Público, que o ex-chefe da Polícia Civil começou uma perseguição ao carro da jovem pelo centro de Campo Grande.
Na decisão, Cristiane Amaral e Douglas Oldegardo detalham todas as tentativas de Adriano em parar a jovem, inclusive fechado o veículo dela, dando ordem de parada com arma em punho e também os tiros dados por ele em direção aos pneus da estudante ao longo do caminho.
A fuga dela é justificada de uma única maneira: não tinha como a jovem saber que o carro dirigido pelo delegado se tratava de uma viatura oficial, nem que ele mesmo era um integrante da segurança pública. “A vítima, sem qualquer percepção de que se tratava de uma abordagem policial em razão da total descaracterização do veículo e do denunciado, continuou seu trajeto.”
De acordo com a denúncia, o ex-delegado geral usou de sua condição e influência para ligar para o Ciops, onde relatava que teria quase sido atropelado e que havia perseguido o ‘sujeito’, sem saber ainda que se tratava de uma jovem pedindo por reforços. “Num intervalo de duas horas, compareceram no local dos fatos,1 Delegado de Polícia plantonista, 8 Investigadores de Polícia Judiciária, 7 Policiais Militares, 3 viaturas da Polícia Militar e 3 viaturas da Polícia Civil, sem mencionar os outros agentes públicos que assumiram a parte burocrática após os fatos, como escrivães e peritos, estrutura essa movida em razão do desagrado do denunciado com a fechada no trânsito e posterior ofensa gestual empreendida pela vítima”, diz a denúncia.
A denúncia ainda diz que Adriano usou da estrutura da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento) do Centro para registrar um boletim de ocorrência, onde, exclusivamente, havia a narrativa do delegado colocando a jovem como autora dos fatos pelos crimes de desobediência, expor a vida ou saúde de outrem ao perigo cujas penas somadas seriam da competência do Juizado Especial Criminal após lavratura de um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência), mas ao invés disso foi instaurado um inquérito policial para justificar ‘a atitude desproporcional do denunciado por conta de uma fechada no trânsito, após um insulto sofrido’.






