Encerramento da safra de confinamento e demanda internacional aquecida devem impulsionar valorização no fim de 2025.

O mercado do boi gordo entra no quarto trimestre de 2025 em um período de transição, após meses marcados por forte atividade nos confinamentos e queda nas cotações. Com o encerramento da safra de confinamento, a expectativa é de redução na oferta de animais e valorização gradual dos preços até o fim do ano.
Os estados de Mato Grosso (MT), Goiás (GO) e São Paulo (SP) registraram as maiores quedas nos preços durante o terceiro trimestre, refletindo o alto volume de abates. Já o Mato Grosso do Sul (MS) manteve prêmio sobre a praça paulista, enquanto o Pará (PA) teve estabilidade pelo segundo mês seguido.

Exportações e cenário internacional
O Brasil segue firme no comércio global de carnes, mesmo após as tarifas impostas pelos Estados Unidos. O país redirecionou exportações para China, México, Rússia e Filipinas, consolidando sua posição como fornecedor estratégico.
Além disso, a crise sanitária no México, provocada pelo surto de bicheira (New World Screwworm – NWS), pode aumentar a dependência mexicana da carne brasileira, diante do risco de contaminação do rebanho norte-americano.

Produção e confinamentos
O país abateu 10,8 milhões de cabeças no terceiro trimestre — o maior volume já registrado. No entanto, o abate de fêmeas caiu para 4,8 milhões, revertendo o pico do primeiro semestre.
Segundo o Censo de Confinamento da DSM-Firmenich, o Brasil deve atingir 8,5 milhões de cabeças confinadas em 2025, o equivalente a 24% do total de abates estimado pelo USDA. O MT lidera o ranking, seguido por SP, GO e MS.
Desempenho das exportações
Até agosto, as exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 10 bilhões, superando o desempenho recorde de 2024. O preço médio de exportação chegou a US$ 5,21/kg, o segundo maior desde 2018.
Análise técnica – BGI V25
No mercado futuro, o contrato do boi gordo (BGI) testou resistência em R$ 326,55, mas recuou até R$ 307,81, onde encontrou suporte. A superação dos R$ 313,28 pode sinalizar retomada de alta, enquanto nova perda abaixo de R$ 307,81 reforçaria o viés de baixa.
Com oferta mais ajustada, exportações aquecidas e demanda externa fortalecida, o setor projeta um quarto trimestre mais positivo, com tendência de valorização do boi gordo e melhores margens para o pecuarista.






