Sobrevivente, Flávio conta saga de segundos que marcaram sua vida e guarda as presas da onça que ficaram cravadas em sua perna— entrevista concedida ao jornalista Paulo Cruz.

No último sábado, dia 4 de outubro de 2025, na Fazenda Milagres, no Pantanal sul-mato-grossense, o peão Flávio Ricardo do Espírito Santo, de 28 anos, enfrentou um encontro brutal com uma onça-pintada. Internado na Santa Casa de Campo Grande, desde o incidente, ele concedeu uma entrevista ao jornalista Paulo Cruz (Auto News) descrevendo o momento de horror e como conseguiu sobreviver.
Flávio explicou que estava em patrulha a cavalo junto com um colega quando avistou urubus sobrevoando uma moita — cena típica para quem trabalha no Pantanal, já que as aves sugerem a presença de carniça. Ao se aproximar, foi surpreendido pela onça: “Ela me atacou aqui na perna. Pulou na minha perna e me puxou de cima do cavalo”, relatou à reportagem de Paulo Cruz, emocionado.
A queda brutal o deixou vulnerável. Ele tentou se proteger usando os braços para abafar os golpes, enquanto chutava o animal na tentativa de afastá-lo. A onça recuou somente após o companheiro gritar e os cães da fazenda latirem. “Não tinha tempo, o bicho é rápido demais”, disse Flávio.
Mesmo gravemente ferido e com muita perda de sangue, Flávio conseguiu montar no cavalo do colega e seguir cavalgando por cerca de meia hora até a sede da fazenda, lutando para não desmaiar. “Cheguei meio zonzo, escurecendo a vista. Perdi muito sangue, mas consegui chegar em casa, graças a Deus”, contou na entrevista.
Na sede, sua esposa agiu imediatamente, prestando primeiros socorros sob o fogo da angústia. Pouco depois, as equipes do Corpo de Bombeiros e do Exército Brasileiro chegaram ao local, numa operação que incluiu resgate aéreo. Flávio foi transportado por helicóptero até a capital para receber atendimento médico urgente.
Um detalhe que reforça a dramaticidade do episódio: parte de uma presa da onça ficou cravada na perna de Flávio, exigindo intervenção cirúrgica para remoção.

Flávio, que nasceu e foi criado no Pantanal, disse que jamais imaginou ter um encontro tão direto com uma onça: “Você vê rastro, pegada… nunca tinha ficado frente a frente com uma assim”, afirma. Também ressaltou a fé que o acompanhou durante a provação: “Só pensei em Deus na hora … nasci de novo com vida — isso é milagre.”
A entrevista com Paulo Cruz revela não só os detalhes do ataque, mas também a força psicológica e física de alguém que resistiu ao improvável. Flávio guarda até hoje as presas da onça em um pote como lembrança física desse dia que poderia ter sido o fim.






