A advogada Luana Ruiz Silva poderia ser apresentada como uma desconhecida na política. Só que não. No primeiro desafio ante as urnas, em 2022, ela passou dos 24 mil votos e conquistou a primeira suplência da Câmara dos Deputados. Bolsonarista e filiada ao PL – presidente do Conselho de Ética do partido em MS, é especialista em Direito Agrário e está entre as principais vozes na defesa da propriedade. Para ela, a credibilidade é um dos predicados mais importantes para fazer a melhor política.
Nesta entrevista à FOLHA, Luana fala sobre como foi pisar no chão pedregoso da política, consolidar seu protagonismo e quais as prioridades para a vitória de seus candidatos majoritários nas eleições deste ano: senador Flávio Bolsonaro, para presidente; Eduardo Riedel, para governador; e Reinaldo Azambuja, para senador.
FOLHA DE CAMPO GRANDE – A primeira suplência criou condições para ampliar seus espaços na política e até incentivar nova candidatura?
LUANA RUIZ SILVA – Com certeza. A primeira suplência demonstra amplitude política. A gente mostra ter suporte, estrutura e possibilidade de tentar novamente.

FCG – Como foi descobrir a política e as disputas eleitorais?
LRS – O primeiro passo foi a coragem de estrear em uma candidatura em 2022. O convite para entrar no PL veio assim: “Luana, venha para o PL, você vai ser a candidata mulher do Bolsonaro. Ele conhece sua história, você já trabalhou com ele, seu nome está aprovado”. E foi assim que entrei no PL, pronta pra enfrentar um pleito eleitoral e na expectativa do respaldo partidário, já que o convite veio nesses termos. Mas, dada a largada, fui literalmente jogada ladeira abaixo – ou ladeira acima, porque ladeira abaixo é fácil. Imaginei ter um caminhar mais linear, mas foi turbulento, pedregoso. Não tive o respaldo partidário que eu imaginei que teria.
FCG – Havia outras candidaturas na mesma situação?
LRS – Surgiram outros nomes que tiveram um amparo partidário. Tiveram o nome, a foto, o vídeo, a voz do Bolsonaro, da Michelle, nossos grandes líderes. Eu não tive nem a foto, nem a voz, nem o vídeo. E chegamos à primeira suplência, algo inesperado. Eu, que era a candidata improvável, surpreendi. E muitos se surpreenderam com esses 24.176 votos. Fui votada em todos os municípios. Dos 160 candidatos à Câmara dos Deputados, fiquei em 14º lugar. Entre as candidatas, fiquei em 2º, e só a Camila Jara foi eleita. Das mulheres não eleitas, fui a mais votada no Estado, o que me surpreendeu positivamente.
FCG – De onde veio esta força?
LRS – As pessoas passaram a se identificar com o meu projeto, a minha história de vida. Por isto eu digo que são fundamentais a credibilidade do candidato e a credibilidade de quem faz campanha para esse candidato. Eu tive muita sorte: estavam ao meu lado na campanha e defendendo o meu nome figuras de grande envergadura, de credibilidade regional, no sul, na fronteira, no norte, nas regiões de Maracaju e pantaneira, principalmente.
FCG – Foi seu impulso para a política?
LRS – A decisão foi tomada de forma extremamente objetiva e racional. A política não era meu projeto de vida. Muito pelo contrário, sou produtora rural e advogada. O meu projeto de vida sempre foi a advocacia para atender aos interesses do agro. E encaro este desafio porque a propriedade da família foi invadida por índios. Amargamos por 30 anos o conflito de ver meu avô, meu pai, minha mãe…meu avô era peão de fazenda, veio de Minas como peão de comitiva, trazendo uma boiada. Trabalhou muito. E quando eu digo que ele regou a terra a suor, não é força de linguagem, é fato. Ele abriu a mata na mão. E quando eu falo mão, não é motosserra, nem machado, é mão!
FCG – E sua atuação na equipe de transição de Bolsonaro?
LRS – Em 2018 fui convidada para integrar a equipe de transição de governo. Jair Bolsonaro iria retirar da Funai a competência para a demarcação de terras e entregar ao Ministério da Agricultura, com a ministra Tereza Cristina. Sou mestre em Direito Constitucional, trabalho com antropologia e arqueologia, um currículo que me levou a ter espaço na equipe. E depois, em janeiro de 2019, com Bolsonaro presidente, fui nomeada adjunta na Secretaria Especial de Assuntos Fundiários dentro do Ministério da Agricultura. Nesta secretaria estava a competência de demarcação de terras e a supervisão do Incra.
FCG – Conseguiram avançar nas metas?

LRS – Foi um trabalho vitorioso. Uma das conquistas no primeiro ano foi o primeiro passo concreto para a moralização da reforma agrária. No final do governo, Bolsonaro entregou 400 mil títulos definitivos aos assentados, credores da reforma agrária. Nos governos de Lula e Dilma o foco nunca foi dar dignidade ao assentado, sempre foi só desapropriar, mas não implementavam os assentamentos.
FCG – E no governo Riedel, o que se destaca?
LRS – Eu fui chefe de gabinete na Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seilog). Cuidava das agendas e dos contatos. Acompanhei o trabalho do Governo, uma gestão de resultados. Quem conhece Eduardo Riedel sabe que ele é mais técnico que político, trabalha para a entrega de resultados. E eu ainda quero ver as estradas de Mato Grosso do Sul duplicadas. Precisamos entender, porém, que vivemos num estado com 79 municípios e três milhões de habitantes. Riedel é um grande gestor. Mato Grosso do Sul tem o menor índice de desemprego do país. É o estado que mais cresce, que mais tem investimento público; é o governo que mais põe dinheiro e que mais tem investimento privado. É um estado com estabilidade fiscal, dá segurança ao empresariado.
FCG – Qual é o melhor nome da direita para enfrentar Lula?
LRS – Eu sou ordeira. Nossa trajetória política é de ordem, é de hierarquia, é de respeito. E nós respeitamos o líder. O nosso candidato a presidente da República é o senador Flávio Bolsonaro. E só existe uma direita. Não existe a mais direita, a menos direita, mais Bolsonaro, menos Bolsonaro. Enquanto não nos conscientizarmos que a direita é uma só e que o inimigo é o Lula, vamos começar a perder dentro de casa.
FCG – Na sucessão estadual, as pesquisas mostram Riedel com vantagem ampla. A eleição será fácil?
LRS – Não existe eleição ganha, nem eleição perdida. Precisamos trabalhar muito e assim faremos, sem jamais subestimar os adversários, pois todos têm história, trajetória, pauta, propostas. Entretanto, temos um governador íntegro, correto e um governo eficiente de entregas. Mas não podemos ter a soberba de imaginar que temos a eleição ganha. É trabalho duro, de muita responsabilidade.

FCG – Com Reinaldo Azambuja o PL ganhou musculatura. Vai fazer a diferença nas próximas eleições?
LRS – Antes de Reinaldo Azambuja, de 2022 a 2025, o PL teve três presidentes, todos com as oportunidades de fortalecerem o partido, sobretudo nos municípios. Quantas prefeituras e prefeitos o PL fez? Quantos prefeitos o PSDB fez? Então, está respondido. Política não se constrói com baderna, com ego e com o próprio umbigo. Política se faz com compromisso, responsabilidade e palavra que seja dada e cumprida. É o que temos com Reinaldo Azambuja. Se não fosse assim, ele não seria a grande liderança política do estado. E liderança política não se cria, se conquista, cumprindo a palavra empenhada.
FCG – E como estão hoje a Luana e o PL?
LRS – O PL em 2022 me deixou órfã. Passei por uma campanha e uma eleição chegando ao status de primeira suplente e não recebi sequer uma mensagem de qualquer dirigente do meu partido. Com a vinda do Reinaldo Azambuja, hoje temos organização. Tão logo ele se filiou eu já fui chamada para reuniões, estou na Executiva Estadual, sou presidente do Conselho de Ética. Como primeira suplente de deputada federal, creio que posso fortalecer nossa chapa. Por isto sou pré-candidata à Câmara Federal, coloquei meu nome à disposição.