“Como fazer um discurso de risco à nossa base e ir contra o melhor para o Estado”, questiona-se o senador.
Por lei, cada chapa majoritária de uma coligação só pode inscrever, no máximo, duas candidaturas ao Senado e dois suplentes para cada uma delas.

Este foi o impedimento de natureza jurídica que fez o senador Nelsinho Trad (PSD) abrir mão de disputar a reeleição. Outro obstáculo, de ordem política, era garantir a formação do mais amplo e unido arco de alianças pela reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).
Estas foram as razões declaradas por Nelsinho Trad para explicar a sua surpreendente decisão de sair da disputa senatorial e ficar de primeiro suplente na chapa do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), embora as pesquisas viessem colocando seu nome nos primeiros lugares das consultas sobre intenção de voto.
Afirma que jamais iria colocar em risco a unidade da base e também não faria qualquer movimento que enfraquecesse a caminhada de Riedel.
“Como é que eu ia entrar com um discurso falando contra aquele que eu considero ser o melhor para o Mato Grosso do Sul? Eu não conseguiria. Às vezes, na política, um passo para trás significa dar dez passos à frente”, exclamou.
Sobre a questão jurídica, conta ter feito uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e constatou que cada coligação tem direito a duas candidaturas ao Senado. E estas são do PL, que lançou Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.

Decisão difícil
Se insistisse com a candidatura, poderia comprometer a formação da chapa e provocar um racha no grupo político, raciocinou. “Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida pública. Porém, o interesse de Mato Grosso do Sul sempre esteve acima de qualquer projeto pessoal. A política exige desprendimento, responsabilidade e compromisso com aquilo que é melhor para a população”, prescreveu.
Ao dizer que seguirá exercendo seu mandato e fiel ao projeto político liderado por Riedel, proclamou: “Continuo senador da República, trabalhando pelo Estado e pelo país. Também estou com Reinaldo Azambuja na campanha, como seu primeiro suplente, fortalecendo um projeto que, repito, é o melhor para o Estado”. Ao comentar as manifestações de apoio, Nelsinho Trad realçou a sua gratidão. “Mandatos passam, mas o legado e as relações construídas permanecem”.







