A segunda safra de milho de 2024/2025 no sul de MS enfrenta um dos piores cenários dos últimos anos, com 67,9% das lavouras apresentando algum tipo de problema, conforme o Siga MS .

De acordo com o Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), destas, 51% foram classificadas como regulares e 16,9% como ruins, restando apenas 32% em boas condições. A região sul do estado, abrangendo municípios como Itaporã, Douradina, Dourados, Deodápolis, Angélica, Ivinhema, Glória de Dourados, Fátima do Sul, Vicentina, Caarapó e Juti, foi particularmente afetada. Em Dourados, por exemplo, cerca de 70% das lavouras apresentam algum grau de comprometimento .
Em contraste, outras regiões do estado apresentam melhores condições: a região norte com 92% das lavouras em boas condições, a região oeste com 97%, a região central com 77%, a região sudoeste com 85% e a região sudeste com 88% .
Apesar dos desafios, a estimativa para a produção total de milho na segunda safra 2024/2025 em Mato Grosso do Sul é de 10,2 milhões de toneladas, representando um crescimento de 20,6% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada é de aproximadamente 2,2 milhões de hectares, com uma produtividade média esperada de 80,8 sacas por hectare
O pesquisador Renato Moraes, do Instituto MS Agro, destacou que lavouras plantadas entre janeiro e meados de fevereiro sofreram com a seca, mas as chuvas de março ajudaram na recuperação do potencial produtivo. Entretanto, a produtividade deve ficar abaixo do ideal, com estimativas de até 100 sacas por hectare, em comparação ao teto anterior de 150 sacas
O engenheiro-agrônomo Carlos Pitol, também do Instituto MS Agro, apontou que o desempenho do milho está diretamente relacionado ao calendário da soja, cujo plantio foi escalonado devido às chuvas irregulares no início do ciclo, atrasando a colheita e, consequentemente, o plantio do milho. Apesar das dificuldades, não houve incidência severa de pragas como percevejo e cigarrinha, que historicamente causam danos significativos
O engenheiro-agrônomo e produtor rural Angelo Ximenes observou uma redução na área plantada de milho no estado, totalizando 1,9 milhão de hectares, representando apenas 47% da área da soja, uma diminuição significativa em comparação aos 75% que já chegou a ocupar. Essa redução é atribuída ao aumento dos custos de produção e à instabilidade climática. Como alternativa, produtores têm buscado culturas como sorgo e canola para diversificar a produção .
A expectativa é que, com condições climáticas favoráveis nas próximas semanas, as lavouras que não foram comprometidas no início do ciclo possam ter um bom desempenho, contribuindo para a recuperação da produção de milho no estado.






