Estado já soma 320 mil hectares irrigados e mira crescimento de 40% até 2030 com novos investimentos.

A área irrigada em Mato Grosso do Sul teve um salto expressivo de 63% nos últimos nove anos, passando de 196 mil hectares em 2015 para 320 mil hectares em 2024, segundo levantamento divulgado pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja) em parceria com o Siga/MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio). A projeção é que o Estado avance mais 40% até o final da década, podendo superar 450 mil hectares irrigados até 2030.
Atualmente, o Estado conta com 902 pivôs centrais instalados em 53 dos 79 municípios sul-mato-grossenses. A tecnologia é usada principalmente em lavouras de soja, milho e feijão, além de áreas destinadas à produção de sementes e pastagens. O sistema de fertirrigação — método que combina irrigação com distribuição de fertilizantes — representa 64% da área total irrigada, com destaque para a cana-de-açúcar.
Segundo o estudo, MS possui um dos maiores potenciais de expansão irrigável do Brasil. São cerca de 4,7 milhões de hectares com capacidade de receber sistemas de irrigação, sendo 1,67 milhão de hectares com disponibilidade de água superficial (rios, represas e lagos) e outros 2,86 milhões em áreas de pastagem degradada que podem ser convertidas para agricultura irrigada.
De acordo com Lucio Damália, diretor da Aprosoja/MS, o avanço da irrigação tem sido fundamental para garantir estabilidade na produtividade, sobretudo diante das mudanças climáticas e de veranicos prolongados. “Já enfrentei 84 dias sem chuva. Se não fosse pela irrigação, a perda de produtividade seria enorme. Com o sistema, conseguimos manter a média de produção, mesmo em anos de clima adverso”, explica Damália, que adota irrigação subterrânea em sua propriedade na região sul do Estado.
O crescimento é impulsionado por fatores como aumento da oferta de crédito rural, incentivos fiscais estaduais, como a isenção do ICMS para equipamentos de irrigação, e melhorias na infraestrutura energética, com projetos de ampliação da rede elétrica rural.
O governo de Mato Grosso do Sul também tem sinalizado apoio à expansão com políticas de incentivo à produção sustentável. Além disso, o mercado financeiro tem olhado com bons olhos os projetos de irrigação no Estado, diante da crescente demanda global por alimentos e da necessidade de garantir segurança hídrica para o agronegócio.
Outro aspecto relevante é a adoção de tecnologias mais eficientes, como sistemas de monitoramento por satélite, que ajudam os produtores a otimizar o uso de água e energia.
Com esse ritmo de crescimento, Mato Grosso do Sul deve se consolidar nos próximos anos como um dos líderes nacionais em agricultura irrigada, contribuindo para o aumento da oferta de alimentos e para a geração de empregos no campo.








