Agricultura e pecuária avançam em ritmo acelerado no Brasil

Pastagens e agricultura dominam o Cerrado e Pantanal, aponta estudo

Um estudo inédito do MapBiomas revelou um quadro alarmante sobre a expansão da agricultura e da pecuária no Brasil. Nos últimos 39 anos, as áreas destinadas a pastagens e cultivos agrícolas cresceram de forma acelerada, transformando significativamente as paisagens de nossos biomas.

Colheitadeira descarrega grão em caminhão durante operação; MS é o sexto Estado no País em produção de grãos. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

O Cerrado e o Pantanal, dois dos biomas mais ricos em biodiversidade do país, foram os mais afetados. O Cerrado, por exemplo, viu suas áreas de pastagem aumentarem em 68%, chegando a 90 milhões de hectares em 2023. Já o Pantanal, com suas características únicas, teve um crescimento de 256% na área ocupada por pastagens, atingindo 2,5 milhões de hectares.

A soja e a cana-de-açúcar foram as culturas que mais se expandiram no período, impulsionadas pela demanda crescente por commodities agrícolas. A soja, em particular, ocupa atualmente uma área equivalente ao território do Paraguai.

A partir da análise de imagens de satélite cobrindo o período entre 1985 e 2023, os dados apontam que a área ocupada por culturas temporárias, como soja, cana, arroz e algodão, entre outros, aumentou 3,3 vezes, passando de 18 milhões de hectares para 60 milhões de hectares. No caso da soja, o crescimento foi ainda mais expressivo: a cultura passou de 4,4 milhões de hectares mapeados em 1985 para cerca de 40 milhões de hectares mapeados em 2023 – uma área do tamanho do território do Paraguai. Já a área mapeada de lavouras perenes, como café, citrus e dendê, entre outros, cresceu 2,9 vezes nesse mesmo período: de 727 mil hectares em 1985 para 2,3 milhões de hectares em 2023. O cultivo perene mais frequente é o café, com 1,26 milhão de hectares em 2023.

Expansão da soja e das demais culturas temporárias no Brasil

Os cerca de 40 milhões de hectares da área mapeada de soja no Brasil representam 14% de toda a área de agropecuária no Brasil. Em 2023, quase a metade dessa área cultivada com soja está no Cerrado (19,3 milhões de hectares), seguido com um quarto na Mata Atlântica (10,3 milhões de hectares) e depois na Amazônia (5,9 milhões de hectares), entretanto, o bioma Pampa é o que apresenta maior área proporcional de soja em relação ao seu território: 21% do bioma é destinado à cultura da soja (4 milhões de hectares).

Peões conduzem boiada em região do Pantanal de Mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo/Fundação de Turismo)

Considerando-se a soma das áreas de agricultura, pastagem e mosaico de usos, constata-se expansão em todos os biomas brasileiros nos últimos 39 anos desde 1985, porém em ritmos diferentes: +417% na Amazônia (onde ocupa 66 milhões de hectares em 2023), +256% no Pantanal (2,5 milhões de hectares em 2023), +68% no Cerrado (90 milhões de hectares em 2023), +62% no Pampa (8 milhões de hectares em 2023), +34% na Caatinga (33 milhões de hectares em 2023) e +3% na Mata Atlântica (67 milhões de hectares em 2023).

Proporcionalmente, em 2023, o bioma com maior área de agricultura é o Pampa, com 5,6 milhões de hectares, representando 29% da área do bioma. Porém, em área absoluta, os líderes são Cerrado e Mata Atlântica, com 26 milhões de hectares e 20 milhões de hectares.

Em um recorte temporal de 1985 a 2008, a soja expandiu 18 milhões de hectares, sendo 30% proveniente de áreas de vegetação nativa (5,7 milhões de hectares), 26% proveniente de conversão de pastagem para soja (5 milhões de hectares) e 44% proveniente de outras áreas já antropisadas anteriormente (8 milhões de hectares). Quando olhado o recorte temporal de 2009 a 2023, com expansão de 17 milhões de hectares, o cenário muda, com 15% de áreas de soja provenientes de vegetação nativa (2,8 milhões de hectares), 36% proveniente de conversão de pastagem e 49% de áreas já antropisadas.