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Campo Grande, 29 de outubro de 2026

Distúrbios do sono podem prejudicar o desenvolvimento das crianças

  • 19 de outubro, 2021
  • Coluna 2, Destaque, Geral
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Seja na escola ou no convívio familiar, a rotina de uma criança durante o dia está ligada ao comportamento noturno. Estima-se que 30% das crianças com idade até 12 anos apresentam distúrbios do sono. O número é ainda maior no caso de bebês, já que cerca de 40% deles não dormem bem. Em situações mais severas, as complicações chegam a comprometer o desenvolvimento.

A maioria dos distúrbios do sono pode afetar adultos e crianças. O que difere é a sua forma de apresentação. Em crianças alguns transtornos podem ser diagnosticados e tratados, nos adultos nem todos têm essa possibilidade. Em geral, os tratamentos têm grande probabilidade de oferecer benefícios a crianças e suas famílias, inclusive estendendo-se à vida adulta.

Os cinco primeiros anos do indivíduo são seguidos de mudanças na duração, na distribuição e no caráter do sono. Na hora de dormir, vários fatores podem afetar a criança: medicações, doenças sistêmicas, condições ambientais.

“Há vários distúrbios do sono. Um deles é a insônia, que já pode aparecer na infância, que é a disfunção de sono mais prevalente para pacientes na faixa etária pediátrica, acometendo até 30% das crianças. A ICSD classifica a insônia como uma dificuldade de início ou manutenção do sono; despertar mais cedo que o desejado; ou dificuldade em iniciar o adormecer sem intervenção dos pais ou cuidadores. Em algumas famílias, a recusa em ir para cama e os despertares noturnos podem ser revertidos com o estabelecimento de uma rotina”, explica a neuropediatra, Dra. Maria José Martins Maldonado.

Ainda há os ligados aos distúrbios respiratórios. A especificação abrange anormalidades da respiração e ventilação durante o adormecer. Na última edição do ICSD, a publicação classificou o distúrbio como uma apneia obstrutiva do sono (SAOS). O problema se caracteriza por uma obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores (VAS), levando ao aumento do esforço respiratório. A patologia afeta entre 1% a 5% da população pediátrica e seu pico de prevalência é entre 2 e 8 anos.

“Outro problema bem comum são os pesadelos. As crianças que estão tendo pesadelos podem despertar completamente e podem se lembrar vivamente dos detalhes do sonho. A menos que sejam frequentes demais, os pesadelos não são causa de alarme. Eles podem ocorrer com maior frequência durante períodos de estresse ou depois de a criança ver algum programa de TV com conteúdo assustador ou agressivo. Se os pesadelos ocorrerem frequentemente, os pais podem utilizar um diário para tentar identificar a causa”, destaca a neuropediatra.

Terrores noturnos são episódios de despertar incompleto com extrema ansiedade logo depois de adormecer. Eles são mais comuns em crianças com três a oito anos de idade. A criança grita e parece assustada, apresenta frequência cardíaca acelerada, sudorese e respiração rápida. A criança parece não estar ciente da presença dos pais, pode se debater violentamente, não responder ao reconforto e pode falar, mas ser incapaz de responder a perguntas. As crianças não devem ser acordadas, pois isso as deixa ainda mais assustadas. Em geral, a criança volta a dormir após alguns minutos.

Terrores noturnos e sonambulismo quase sempre cessam sem tratamento, ainda que episódios ocasionais possam ocorrer durante anos. Em geral, nenhum tratamento é necessário, a não ser que um destes distúrbios persista durante a adolescência ou idade adulta e seja grave. Às vezes, a criança que precisa de tratamento para terrores noturnos apresenta resposta a um sedativo ou a determinados antidepressivos. No entanto, estes medicamentos são fortes e podem causar efeitos colaterais.

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