Homenagem da equipe da FOLHA DE CAMPO GRANDE ao jornalista, ativista cultural e colunista de cinema deste jornal

É como num filme. De longa-metragem. Ou melhor, de infinitas e arrebatadoras metragens. Talvez tenha começado como na primeira cena: era uma vez. Ou teriam sido duas vezes. Mas poderiam ser três, quatro, cinco… Enfim, eram quantas vezes fossem necessárias para reprisar os abraços que amenizavam as noites, alimentavam os sonhos e renovavam a crença nos amanheceres.
Pedroka vive assim. Figurante e protagonista da coragem que exala em cada respiração, pulsa em todos os seus roteiros um novo dia. Não ensaia e nem decora o sorriso, que se escancara espontaneamente para as pessoas, saudando a natureza e preenchendo os tantos vazios de amor que a sorte propõe.
Desde tenra idade, o Pedroka é desse jeito. Caminha movido por impulsos mágicos, divinos, porque sua felicidade é compor relações de amor e convivência em capítulos de arte, poesia, música e contemplação da paz e das sedutoras contradições entre fantasia e realidade.

Pedroka é assim, incorrigível, vem construindo os seus próprios destinos com as próprias mãos e uma inteligência das mais sensíveis e afiadas. Dizem ser coisa de Deus esta imensurável valentia para permitir a doença que, iludida, instalou-se com a fama de inutilizar o seu público-alvo, torná-lo incapaz e improdutivo.
Mal sabia a tal distrofia muscular de Duchenne que encontraria naquele corpo de menino uma têmpera resolvida e inspirada para fazer o enfrentamento. Sem lamúrias, sem maldizer a sorte, livre, leve e solto, o Pedroka atravessou seu bojador. Com galhardia desde o primeiro ato, negando-se a viver ou contar uma história que tivesse a palavra “fim” ou desfechos infelizes.
Pedroka jamais deseja ver alguém triste. Não tem vontade, talento ou ambição mercadológica para lucrar com a exploração da dor. Acima de tudo, é produtor, roteirista, figurinista, intérprete e narrador de uma história única, como num filme interativo no qual os artistas e a plateia se embaraçam numa sessão de felicidade a reprisar vezem sem conta.

Este filme terá sido sempre uma novidade. Como no dia 19 de maio de 2025, quando Pedroka, seu autor, inventou de criar um novo capítulo, ao surpreender a traiçoeira condição genética que comprometeu seus músculos e reduziria significativamente sua expectativa de vida, se não fosse ele, o Pedroka, o astro deste enredo que protagonizou a vitória surpreendente de uma vida que foi além da distância matemática prevista nos almanaques da Ciência.
Assim, naquele 19 de maio nascia mais uma flor perfumada de esperança, resiliência e coragem nos campos limpos e abertos de uma existência feliz.
Pedroka nasceu para não morrer!
(Homenagem da equipe da FOLHA DE CAMPO GRANDE ao jornalista, ativista cultural e colunista de cinema deste jornal. Pedro de Moraes Martinez tinha 37 anos e era portador da distrofia muscular de Duchenne, uma ocorrência rara e muito agressiva, que causa fraqueza e deterioração muscular progressiva, inutilizando e reduzindo o tempo de vida de seus portadores).






