Mercado oscila com inflação acima do esperado e incertezas externas; Ibovespa ronda 134 mil pontos e dólar sobe a R$ 5,53.

O mercado financeiro brasileiro opera com cautela nesta sexta-feira (25/07), refletindo uma combinação de pressões internas e externas. O Ibovespa oscila próximo dos 134 mil pontos, enquanto o dólar comercial sobe para R$ 5,53 e os juros futuros (DIs) registram alta, sobretudo nos vencimentos intermediários, sinalizando aumento na percepção de risco e nas incertezas econômicas.
A elevação da prévia da inflação oficial (IPCA-15) em julho, que subiu 0,33%, acima da expectativa de 0,30%, reforçou o cenário de prudência no mercado. O resultado alimenta a percepção de que o Banco Central manterá a Selic em 15% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 29 e 30 de julho. Pesquisa da Reuters com 35 analistas aponta unanimidade na manutenção da taxa — no maior nível em quase duas décadas.
Apesar disso, o mercado já projeta o início de um ciclo de cortes a partir de dezembro, com a maioria dos analistas apostando em uma redução de 50 pontos-base, à medida que a economia brasileira dá sinais de desaceleração.
Outro fator que pesou sobre os ativos domésticos foi o anúncio do déficit em conta corrente de US$ 5,1 bilhões em junho, divulgado pelo Banco Central. O resultado evidencia o desafio no equilíbrio das contas externas em meio ao atual ambiente cambial e inflacionário.
Riscos geopolíticos e tensão comercial afetam o humor global
No cenário internacional, os mercados acompanham os desdobramentos da tensão comercial entre Estados Unidos e países parceiros. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou hoje que há “50% de chance de um acordo comercial com a União Europeia”, mas foi menos otimista com o Canadá, sugerindo que poderá aplicar tarifas unilaterais ao país.
No caso do Brasil, a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada por Trump e prevista para entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto, continua no centro das atenções. O governo brasileiro intensificou as negociações, com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Fernando Haddad alertando que mais de 10 mil empresas nacionais podem ser impactadas pela medida.
Em meio às discussões, o presidente Lula reagiu ao interesse dos EUA em minerais estratégicos como lítio e nióbio: “Aqui ninguém põe a mão”, afirmou, em referência à soberania sobre os recursos naturais.
Bolsa segue mista; Petrobras sobe, Usiminas cai após balanço
Entre as ações, o movimento é misto. As ações da Petrobras operam em alta, com PETR3 avançando 0,49% e PETR4 subindo 0,28%, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. O setor de frigoríficos também começa o dia em alta: MRFG3 sobe 1,22%, BEEF3 avança 0,39% e BRFS3 ganha 0,24%.
Já a Usiminas (USIM5) recua 1,6%, após divulgar um lucro líquido de R$ 128 milhões no segundo trimestre de 2025, revertendo prejuízo de R$ 100 milhões no mesmo período do ano passado, mas com resultado abaixo do esperado pelo mercado.
Wall Street opera com leve otimismo; Fed e Trump em foco
Nos Estados Unidos, os principais índices abriram em leve alta. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registram ganhos modestos, com os investidores atentos às sinalizações do Federal Reserve. Trump visitou a sede do Fed na quinta-feira e declarou nesta manhã que acredita que o chair Jerome Powell pode estar pronto para reduzir os juros — comentário que aumenta as apostas em um possível alívio monetário no país.
O próprio Fed divulgou nota afirmando estar “grato” pela visita de Trump e reafirmou o compromisso com a conclusão do projeto de reforma de sua sede, alvo de críticas do presidente americano devido aos custos da obra.






