Sessão extraordinária do Supremo adiciona cautela aos mercados, enquanto investidores monitoram tensão no Oriente Médio, varejo fraco e decisões de Copom e Fed.

O mercado financeiro brasileiro operava perto da estabilidade nesta terça-feira (15), em um dia marcado pela combinação de tensões geopolíticas, expectativa por decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e incertezas no cenário político-institucional. Por volta das 11h37, o dólar comercial avançava 0,07%, cotado a R$ 5,151, enquanto o Ibovespa subia 0,17%, aos 185.817,63 pontos.
O movimento refletia uma sessão de sinais mistos. De um lado, o aumento do preço do petróleo e a alta dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos ampliavam a aversão ao risco no exterior. De outro, investidores avaliavam ativos brasileiros após dados mais fracos do varejo e acompanhavam os desdobramentos da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a Petição 16.662.
Petróleo caro amplia temor de inflação
O mercado internacional segue pressionado pela escalada dos preços do petróleo após ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita. O oleoduto Leste-Oeste, uma rota estratégica para exportação de petróleo saudita sem passar pelo Estreito de Ormuz, ficou fora de operação, aumentando o temor de restrições na oferta global.
O Brent chegou a superar US$ 108 por barril durante a turbulência recente e permanecia acima de US$ 107 nesta terça-feira. O encarecimento da commodity eleva preocupações com inflação, combustíveis e custos de produção, cenário que pode levar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries permanecem em patamares altos, com a taxa do título de dez anos próxima de 5%, nível não visto desde 2007. A perspectiva de aperto monetário pelo Federal Reserve pressiona bolsas internacionais, fortalece o dólar e tende a reduzir o apetite por ativos de países emergentes, como o Brasil.
Varejo fraco e juros no foco
No cenário doméstico, o mercado reagiu à queda de 0,8% nas vendas do varejo em julho, na comparação com junho, conforme a Pesquisa Mensal do Comércio divulgada pelo IBGE. O resultado interrompeu dois meses consecutivos de alta e ficou abaixo das projeções do mercado.
O desempenho foi influenciado pelo crédito caro e pelo elevado endividamento das famílias. Móveis e eletrodomésticos registraram a maior queda entre os segmentos pesquisados, com retração de 4,9% no mês, refletindo a dependência do setor em relação ao financiamento.
Os investidores também mantêm atenção voltada para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve. Uma eventual sinalização de juros elevados por mais tempo pode afetar as projeções para consumo, crédito, inflação, câmbio e atividade econômica no Brasil.
STF aumenta cautela local
A situação política no STF é outro fator de atenção para o mercado nesta terça-feira. A sessão extraordinária do Plenário, iniciada às 10h, discute a Petição 16.662, que reúne informações da Polícia Federal sobre mensagens e contatos atribuídos ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ao ministro Alexandre de Moraes.
O julgamento tem potencial para elevar a volatilidade dos ativos brasileiros porque ocorre em meio a discussões sobre estabilidade institucional, cenário eleitoral e percepção de risco político. Investidores acompanham principalmente os efeitos que uma eventual abertura de investigação, o arquivamento do caso ou questionamentos sobre a validade do relatório policial podem produzir na relação entre os Poderes e no ambiente de negócios.
A cautela não significa uma reação automática da Bolsa ou do câmbio a cada manifestação dos ministros. No entanto, a crise institucional entra no cálculo de risco dos investidores, especialmente em uma semana decisiva para a política monetária e sob pressão externa provocada pelo petróleo e pelos juros americanos.
Bolsa avança, mas cenário é instável
Apesar da alta de 0,17% do Ibovespa no fim da manhã, o avanço era limitado e indicava um mercado ainda defensivo. Na véspera, o índice havia fechado em queda de 0,91%, aos 185.501 pontos, pressionado pela aversão global ao risco e pelas incertezas domésticas.
O dólar, por sua vez, mantinha leve valorização frente ao real, negociado a R$ 5,151. A moeda americana tende a ganhar força quando aumentam as preocupações com inflação, juros nos Estados Unidos e risco geopolítico, fatores que estimulam investidores a buscar ativos considerados mais seguros.
Com petróleo em patamares elevados, juros americanos pressionados, indicadores econômicos locais mais fracos e uma sessão sensível no STF, o mercado brasileiro deve permanecer atento a novas oscilações ao longo do pregão.






