Projeções melhores para a inflação e leve otimismo em NY animam o Ibovespa, mas tensões políticas e temor de guerra comercial com Trump seguem no radar.

O Ibovespa hoje abriu em alta de 0,45%, aos 133.996 pontos nesta segunda-feira (21/07). As atenções do mercado estão em projeções da economia, pelo boletim Focus, e as políticas tarifárias do governo Trump.
A alta de 2,08% do minério de ferro, na China, e dos índices futuros de ações em Nova York pode estimular o principal índice da B3 hoje. Além disso, novo alívio nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano e do seguinte no boletim Focus tende a ser bem visto, podendo atenuar as recentes quedas do Índice Bovespa.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 1,61%, aos 133.381,58 pontos, no menor nível de encerramento em três meses, terminando a semana com recuo de 2,06%.
O economista-chefe do BV, Roberto Padovani, pontua que a semana passada foi mais um período complicado nos mercados, em função de temas globais. “As atenções continuaram voltadas a questões tarifárias norte-americanas, com imposição de novas tarifas a diversos países, com atenção especial a Brasil e México”, diz, acrescentando que o assunto deve continuar no foco, assim como a pressão sobre o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, para que reduza os juros dos EUA.
Uma alta do Ibovespa, no entanto, pode ser moderada. Há temores de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureça ainda mais as tarifas de 50% impostas ao Brasil após a ofensiva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na sexta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou medidas restritivas a Bolsonaro, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, em meio ao tarifaço brasileiro.
Dólar hoje
No mercado de câmbio, o dólar hoje abriu em estabilidade, com leve alta de 0,06%, negociado a R$ 5,5909. Logo após a abertura, a moeda americana ganhou intensidade, mas perdeu ganhos no decorrer da manhã. Às 10h10 (de Brasília), o dólar recuava 0,50%, a R$ 5,5599.
Quanto ao boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, o destaque é a desaceleração nas estimativas para o IPCA e para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). A mediana para o IPCA de 2026 passou de 4,50% para 4,45%, abaixo do teto da meta pela primeira vez desde o relatório publicado em 17 de março. Para 2025, a expectativa foi de 5,17% para 5,10%.
Agenda econômica do dia
A agenda econômica da semana traz o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas de junho e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho. Nesta segunda-feira (21), uma entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, à Rádio CBN, e o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Chile, com os presidentes Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, são os destaques no Ibovespa hoje.
Também na agenda econômica desta segunda-feira, destaque para o boletim Focus. Na terça-feira (22), será publicado o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias de junho e o Banco Central (BC) realizará um leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de até US$ 600 milhões para rolagem do vencimento de 4 de agosto de 2025.
O IPCA-15 de julho, também chamado de prévia da inflação, e os dados de transações correntes e Investimentos Diretos no País (IDP) de junho também estão previstos na sexta-feira (25/07).
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, participa de evento na terça; e o Banco Central Europeu (BCE) divulga decisão de juros na quinta-feira (24/07), seguida de entrevista da presidente da instituição, Christine Lagarde. As prévias de julho dos Índices de Gerentes de Compras (PMIs) europeus e dos EUA saem também na quinta; e as encomendas de bens duráveis americanos, na sexta.
Na agenda de balanços corporativos do segundo trimestre de 2025, Verizon publica nesta segunda-feira no pré-mercado em Nova York; GM, Coca-Cola divulgam na terça; Alphabet (GOGL34) e Tesla (TSLA34) na quarta-feira (23/07); Deutsche Bank e Intel, na quinta.
Bolsas globais mostram leves ganhos
As ações no pré-mercado em Nova York exibem leves ganhos em meio à queda dos juros dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) e do dólar hoje frente às principais moedas, diante da espera por balanços, pelo discurso de Powell e por possíveis mudanças na política tarifária dos EUA antes da decisão do Fed no fim do mês.
Na Europa, as bolsas de valores operam com quedas contidas, influenciadas por resultados corporativos mistos e pela expectativa em torno de avanços nas negociações tarifárias entre EUA e União Europeia, em dia de agenda fraca de indicadores. O secretário do Comércio americano, Howard Lutnick, afirmou que 1º de agosto é o prazo final para imposição das tarifas, mas que isso não impede negociações posteriores.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta após o banco central da China manter suas principais taxas de juros estáveis. Os mercados também monitoram o cenário político no Japão, onde o governo sofreu derrota nas eleições legislativas, o que pode enfraquecer sua posição nas negociações comerciais com os EUA.
Boletim Focus traz novo recuo da inflação
As apostas do relatório do BC para a inflação brasileira em 2025 tiveram novo recuo, passando de 5,17% para 5,10%, mas ainda acima do teto da meta, de 4,50%. Enquanto isso, as previsões do boletim Focus para os juros brasileiros se mantiveram em 15% no final de 2025 – veja as previsões para os anos seguintes nesta reportagem.
Commodities operam em direções distintas
Os contratos futuros do petróleo operam em baixa, ampliando perdas da semana passada, enquanto investidores avaliam o impacto de novas sanções da União Europeia (UE) ao petróleo da Rússia e acompanham desdobramentos da ofensiva tarifária do governo Trump, que podem comprometer a demanda pela commodity. Nesta manhã, o barril do petróleo WTI para setembro caía 0,21%, a US$ 67,20, enquanto o do Brent para o mesmo mês recuava 0,26%, a US$ 68,95.
Entre as commodities hoje, o minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para setembro de 2025, fechou em alta de 2,08%, cotado a 809 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 112,7.
O que mais esperar do Ibovespa hoje?
Os modestos ganhos em Nova York e a alta do minério na China, após a manutenção dos juros por lá, podem suavizar os ajustes do Índice Bovespa hoje, que caiu 1,61% na sexta-feira (19), pressionado por tensões políticas e temores de uma guerra comercial com os EUA.
Investidores temem retaliações de Donald Trump após decisão do STF contra Jair Bolsonaro, o que poderia impactar negociações tarifárias e o cenário político de 2026. No pré-mercado, o EWZ, principal fundo de índice (ETF, fundo de investimento negociado na bolsa como se fosse uma ação) brasileiro negociado em Nova York operava em alta de 0,56% nesta manhã.
A queda do dólar e dos juros nos EUA também pode aliviar pressões no câmbio e na curva de juros local. No entanto, persiste a incerteza sobre a reação de Trump às tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O ministro Fernando Haddad afirmou que o governo brasileiro não planeja retaliar os EUA com medidas sobre dividendos.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o Ibovespa hoje.
Com informações do Portal Broadcast








