Pavor. Este é um adjetivo que cabe muito bem para definir o sentimento de campo-grandenses humilhados, perplexos e – sem dúvida – até aterrorizados pelos desmandos e incertezas causados por uma gestão que existe, mas poucos sabem, poucos veem. Nem gestora, nem gestão.
É assim que está vivendo uma população de quase um milhão de habitantes, diante da ausência da prefeita que saiu reeleita das urnas após semear promessas irrealizáveis, engabelando o eleitorado e assegurando, para si e para seus fiéis, mais quatro anos de poder. São 48 meses com a caneta do “tudo posso, tudo faço” nas mãos. E isto é apavorante.
Todo dia, inclusive aos sábados, domingos, feriados e dias santos, há uma notificação desairosa sobre os desserviços que o desgoverno vem fazendo em Campo Grande. Serviços, especialmente os essenciais, estão em estado caótico, haja vista a crescente montanha de reclamações que chegam à Câmara Municipal, ao Ministério Público e até ao Procon.
É preciso ser racional e verdadeiro. Não se pode culpar a prefeitura ou a prefeita por tudo de ruim. Mas quase tudo de ruim que a Capital está sofrendo deriva da ausência da gestora. Não é ausência física, material. É conceitual. É de capacidade para governar. É a ausência de liderança e de autoridade efetivas para cortar os drenos que sangram as contas públicas. Mas isto é improvável, porque é desses drenos que respira a curriola dos bajuladores, ocultos sob folhas secretas.
Uma das denúncias mais graves que a prefeita precisa responder, e com a verdade, é o que foi feito com R$ 156 milhões do orçamento da saúde que foram parar sabe-se lá onde. Não é uma denúncia gratuita ou de mero oposicionismo deste articulista ou deste veículo. Sua origem é a informação que chegou ao Ministério Público Estadual por meio de um colegiado insuspeito: o Conselho Municipal de Saúde.
O MPE abriu inquérito, por meio da promotora Daniella Costa da Silva, da 32ª Promotoria de Justiça, que está cobrando explicações da prefeitura, da Secretaria Municipal da Saúde e da Câmara Municipal. A cobrança, até que se prove o contrário, permanece sem resposta. Nem o Executivo e nem o Legislativo se apresentaram para informar o que está acontecendo.
Enquanto isso, continua – e agravando-se – o abandono da cidade por uma gestão que foi legitimada pelas urnas, mas que se desqualifica na inépcia, no descaso, na insensibilidade e na fuga de responsabilidades. Não fossem as obras de infraestrutura que o governo estadual realiza, a Campo Grande de Adriane Lopes hoje seria conhecida no país como a capital dos remendos. Nada mais a acrescentar, até porque incompetência é um defeito de vocação que nem remendos consertam.