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Campo Grande, 09 de outubro de 2026

TSE deve julgar cassação do deputado Rafael Tavares por não cumprir a cota de gênero

  • 6 de fevereiro, 2024
  • Politica
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Indiretamente, a falta de cumprimento da cota atinge o deputado estadual Rafael Tavares e a composição da Assembleia Legislativa. Audiência está marcada para às 18h desta terça-feira (6)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve julgar o pedido de cassação do mandado do deputado estadual Rafael Tavares (PRTB-MS) nesta terça-feira (6). A sessão plenária de julgamentos está marcada para às 18h (hora de Mato Grosso do Sul).

Deputado foi eleito por Mato Grosso do Sul nas eleições de 2022 (Foto: Wagner Guimarães)

O mandado de Rafael Tavares está “em xeque” por fraude eleitoral nas eleições de 2022. De acordo com as decisões do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o partido não cumpriu a cota de gênero dos candidatos ao cargo de deputado estadual.

Indiretamente, a falta de cumprimento da cota atinge o deputado estadual Rafael Tavares e a composição da Assembleia Legislativa. A sentença da corte eleitoral tornou inelegíveis duas candidatas do PRTB que, segundo o relator, participaram da fraude, e anula os votos de todos os candidatos do partido.

Caso seja confirmada a cassação do mandato do deputado, em seu lugar assume o suplente Paulo Duarte (PSB).

Entenda o processo

O desrespeito à legislação eleitoral que estabelece o registro de no mínimo 30% de mulheres nas chapas dos partidos nas candidaturas proporcionais foi o motivo da instauração de processo contra Rafael Tavares.

Ação de Investigação Judicial de Eleitoral ajuizada pelo União Brasil contra o PRTB mostra que o partido cometeu fraude de gênero, o que poderá resultar na anulação e recontagem de votos e, por consequência, a alteração da relação dos eleitos, com a exclusão de Rafael Tavares e a sua substituição por Paulo Duarte.

De acordo com o que foi apurado, a fraude de cotas se deu em função do indeferimento, pelo Tribunal Regional Eleitoral, das candidaturas de duas das 8 mulheres cujos nomes foram homologadas em convenção pelo PRTB para concorrerem à vaga de deputada estadual na eleição de 2022.

São elas Camila Monteiro Brandão e Sumaira Pereira Alves Abrahão, que juntamente com outras seis mulheres totalizavam a cota de gênero mínima de 30% – o PRTB lançou o total de 22 candidatos à ALMS, sendo 16 homens e 8 mulheres.

Cálculo alterado

Com a exclusão de Camila e Sumaira, o percentual de mulheres na chapa ficou abaixo do mínimo exigido por lei, que deveria ser de 7 mulheres. A não apresentação pelo PRTB de nenhum outro nome para substituir nem que fosse apenas uma delas, a cota de gênero foi desrespeitada, ficando abaixo do mínimo de 30%.

Camila teve seu registro de candidatura indeferido por unanimidade pelo TRE/MS porque não se desincompatibilizou, dentro do prazo estabelecido em lei, do cargo de servidora pública.

Sumaira, por sua vez, teve o registro indeferido porque nas eleições de 2020 não prestou contas de sua campanha, situação que seria de conhecimento da direção do PRTB.

Anulação dos votos

A fraude à cota de gênero de candidaturas femininas, passível de anulação de votos, afronta os princípios da igualdade, da cidadania e do pluralismo político, na medida em que o objetivo estabelecido no artigo 10, § 3º, da Lei 9.504/1997 é ampliar a participação das mulheres no processo político-eleitoral.

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